Chia para atletas

Atualizado em 25 de abril de 2016
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Conhecidos das civilizações maias e astecas, como fonte alimentar para aumento da resistência física, os grãos de chia estão sendo redescobertos pelos praticantes de atividades esportivas de alto rendimento.
Fonte de alimentação na era pré-colombiana, com plantio desde 2600 a.C., esses grãos também estavam atrelados a rituais sagrados, oferecidos aos deuses, o que provocou reações contrárias de colonizadores espanhóis católicos, que entenderam as cerimônias com o grão como um ritual pagão. Por isso, o cultivo foi extinto por séculos, e só retomado no início da década de 90, por pesquisadores argentinos em parceria com a Universidade do Arizona, Estados Unidos.
Muitas qualidades
Estudos recentes confirmam a semente como uma inovadora fonte de ômega 3 (não produzido pelo corpo humano, se deposita nas membranas das células neurais), propriedades anti-oxidantes e boa fonte de fibras (40% são dietéticas, 36% insolúveis e 5% solúveis). Fibras que, aliás, mucilaginosas, formam um gel no estômago (sacietógeno), o que causa sensação de saciedade prolongada (mucilagem é uma secreção vegetal rica em polissacarídeos que retém até dez vezes o seu peso em água). Os grãos da Chia devem ser ingeridos na forma integral (não triturados para preservar suas qualidades, ao contrário de outros grãos). Também não devem ser armazenados em exposição à luz, incluindo aí sacos plásticos transparentes, pois suas fibras solúveis concentram-se na casca dessa semente.
Cultivada nas regiões andinas das Américas, a chia é também fonte de ácidos graxos (regulam funções do organismo, facilita absorção de vitaminas, a síntese de hormônios e previne doenças cardiovasculares), e proteínas que combatem o envelhecimento. Suas qualidades também são capazes de reduzir os triglicerídeos e colesterol – em alta escala, tende a se acumular nas paredes das artérias, formar placas de gordura e entupi-las. E como impulsiona o sistema imunológico, funciona como um anti-inflamatório natural, reduzindo dores articulares e reumatoides, e protegendo contra doenças como a de Alzheimer. Por fim, previne doenças cardiovasculares e hipertensão, e auxilia o tratamento da diabetes.
Alto rendimento
Pesquisas com mais de dez anos na Unidade de Doenças Cardiovasculares da Pontifícia Universidade Católica do Chile, confirmam tais propriedades dos grãos integrais de chia, incluindo seu poder de combater os radicais livres. Além disso, também aponta sua grande capacidade de absorção de glicose, ideal para a prevenção do diabetes e controle da insulina.
O grão de chia tem a aparência de um gergelim escuro, e é utilizado nas receitas de bolos, pães e massas, com cereais matinais, sopas, saladas, iogurtes, sucos, vitaminas e frutas. E já pode ser visto em programas alimentares de esportistas norte-americanos, canadenses, japoneses, australianos, mexicanos, chilenos e até no Brasil, recém chegada.
A chia integral é liberada para consumo de pessoas de todas as idades, inclusive gestantes, pois é rico em ácido fólico. A recomendação diária é de uma colher de sopa, ou 2g quando comercializadas em cápsulas ou saches – duas vezes ao dia, 30 minutos antes das principais refeições.