Apostar (ou não) na proteína do leite?

Atualizado em 21 de setembro de 2017
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O leite sempre causa polêmica: a cada nova pesquisa ele é amado ou odiado. Fato é que segundo cientistas suecos da Universidade de Uppsala, a hipótese bem aceita e difundida na medicina de que o alto consumo de leite reduz a ocorrência de fraturas ósseas caiu por terra. A pesquisa demonstra, até, que ele pode aumentar o risco de morte. Os estudiosos suecos descobriram que, tanto em homens quanto em mulheres observados por anos, o índice de mortalidade foi maior entre aqueles que tomavam mais de três copos de leite por dia (média de 680 ml) do que entre os que consumiam até um copo. Além disso, não foi observada a redução do risco de fraturas em nenhum dos participantes, resultado que contraria estudos que mostram que o leite tem papel importante na prevenção da osteoporose.

E para os corredores a história parece ser a mesma. Apesar de o leite e seus derivados serem fontes de proteína, cálcio, e gordura, essenciais para o bom rendimento daqueles que se dedicam à corrida de rua, seu consumo, na maior parte das vezes, pode ser dispensado, visto que esse é um alimento fonte de proteína de difícil digestão, com um potencial inflamatório. Mais: o que é encontrado hoje nas caixinhas de leite do supermercado pode vir adicionado de conservantes, hormônios e antibióticos, o que faz com que o seu consumo não traga benefícios para a saúde do atleta.

Isso acontece porque cerca de 80% das proteínas do leite são compostas por uma proteína inflamatória e de absorção lenta denominada caseína, o que faz com que a difícil digestão se manifeste. Seu consumo antes da corrida pode causar distensão abdominal, refluxo, azia e alterações da função intestinal, sintomas que prejudicam o rendimento durante as passadas.

Para substituir esses alimentos, aposte em proteínas como carne, frango, peixes e ovos, que são melhores aternativas. E se você fizer corridas mais longas, que ultrapassem uma hora, invista na suplementação proteica, como o whey protein (que tem absorção rápida) ou alguma outra de origem vegetal, como proteína de arroz ou ervilha. Para a saúde óssea, vegetais verde escuro e gergelim são boas pedidas.

Você adora leite?
Para manter sua ambiguidade, o leite também foi material de pesquisa de outro estudo recente, dessa vez divulgado no 12º Congresso Euro Fed Lipid – que aconteceu em setembro na França. Nele, a relação entre o consumo da bebida e derivados para a prevenção de pressão alta foi comprovado.

A conclusão se deu após cientistas da Universidade Wageningen, na Holanda, revisarem nove estudos que envolviam 57.256 participantes e 15.367 casos de hipertensão. Os resultados mostraram que quem consumia, diariamente, dois copos de leite ou produtos lácteos tinha risco menor de desenvolver a constrição nos vasos.

Além disso, a boa notícia é que os sintomas negativos não são regra. Se você está acostumado com a bebida, certamente, não terá alteração no trato intestinal. Assim, sua alta concentração de cálcio ajuda na construção e manutenção dos ossos. Aliás, a importância desse mineral é tremenda. Cerca de 99% do cálcio presente no corpo fazem parte dos ossos e dos dentes. O 1% remanescente, embora em um percentual de menor expressão, é essencial para a vida e para a saúde do organismo. Sem essa pequena porcentagem, os músculos não conseguiriam contrair corretamente, o sangue não coagularia e os nervos não transmitiriam mensagens.

Mas procure evitar seu consumo pouco tempo antes dos treinos e provas, pois mesmo o seu organismo estando acostumado, você pode sentir algum tipo de desconforto gástrico.

(Fonte: Roberta Thawana, nutricionista clínica, funcional e personal diet da Auraclara Clínica de Saúde e Bem estar)