Rio 2016: todos de olho no que vem por aí

Atualizado em 26 de abril de 2016
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Alguns dos ídolos do esporte nacional conversaram com o Ativo.com durante o 5º Fórum Nacional do Esporte para falar sobre o que esperar do legado do Rio 2016, a formação de novos atletas e como o Brasil pode se transformar em uma potência olímpica.

O 5º Fórum Nacional do Esporte reuniu ídolos olímpicos, 358 dos mais influentes empresários no Brasil, além de autoridades, como o Governador do Estado Geraldo Alckmin, o Ministro do Esporte George Hilton, e o CEO do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos Rio 2016 Sidney Levy, na quarta-feira (9 de setembro). A pauta do debate: como aproveitar as Olimpíadas para construir um legado de infraestrutura no Rio de Janeiro e a formação de novos atletas. Reunimos as opiniões de sete grandes nomes do esporte nacional presentes no fórum, aqui.

Ana Moser, 47 anos, ex-jogadora de vôlei e presidente da ONG Atletas Pelo Brasil

Para a medalha de prata em Atlanta (1996), o grande legado das Olimpíadas será fazer com que o esporte seja posto em um debate nacional e que envolva diferentes setores, como o esportivo, o empresariado, a classe política e a sociedade. “O esporte só pode ser conversado de uma forma muito mais madura dessa maneira. Você só tem aquilo que você investe. Investir na equipe olímpica vai nos trazer o melhor resultado esportivo de nossa história. Para ter resultado em outras áreas, é preciso investir forte também. A gente tem o plano do Sistema Nacional, com expectativa de que virem ações de maneira ampliada. Porque se não ampliar o que se tem hoje, ficamos parados”.

Hortência Marcari, 55 anos, ex-jogadora de basquete

O caráter inspiracional é a maior herança que um evento de magnitude global pode deixar. A criança vai ver não só o atleta brasileiro, mas os de outros países, em várias modalidades, e vai pensar: poxa vida, eu quero ser igual a ele, fazer o que ele faz. E ai que vem o grande problema: como oferecer aquele esporte e o espaço adequado para que ela pratique e possa se tornar uma referência, como ela teve ao ver as Olimpíadas”, diz , Hortência.

E vale reforçar o ensino de educação física nas escolas. “O Sistema Nacional do Esporte tem essa proposta de trazer novamente o esporte e a educação física de maneira muito forte para as escolas. E nós, que estamos na linha de frente do debate, precisamos conversar e sempre buscar a renovação das leis e onde buscar o financiamento para a prática esportiva”.

Cafu, 45 anos, ex-jogador de futebol e capitão do penta (2002)

Para o ex-lateral direito, que gosta de todas as modalidades esportivas, o momento atual é muito propício para o Brasil se consolidar como uma potência olímpica, e fazer com que outras modalidades cresçam além do futebol. “Nós queremos um Brasil competitivo e ter sucesso nas Olimpíadas traz muita moral como nação. É mais do que hora de o futebol brasileiro ganhar a medalha de ouro, algo inédito para nós”.

Tiago Camilo, 33 anos, judoca prata em Sidney (2000) e bronze em Pequim (2008)

Tiago Camilo acredita que mais do que instalações olímpicas, é vital ter o comprometimento com a construção da base. “O grande problema a ser resolvido é ter o esporte de base na escola e fazer lá o primeiro contato com as crianças. Esse é o caminho, somado a espaços adequados e profissionais gabaritados para encaminhar os jovens atletas. Quando você tem o esporte conectado com a educação, ele se torna a continuidade da sala de aula. A criança precisa ver aonde ela pode chegar”.

O judoca, que foi ouro na categoria até 90 kg no Pan de Toronto, defende que o Brasil precisa ter uma cultura esportiva mais difundida: “O brasileiro é um povo muito esportista, ama esportes, mas que precisa de incentivo para desenvolver este amor”.

Lars Grael, 51 anos, ex-velejador e bronze em Seul (1988) e Atlanta (1996)

Para Lars Grael, a maior obrigação dos ex-atletas é lutar para transformar o Brasil pelo esporte. “O importante vai ser medir, a partir de 2016, como podemos crescer e manter os ganhos esportivos em 2020 e 2024. Eu vejo com otimismo o que vamos presenciar. E para mantermos o atleta como o maior legado dos Jogos Rio 2016, é preciso investir na capacitação e formação”.

Servílio de Oliveira, 67 anos, ex-boxeador e bronze no México (1968)

“Com auxílios como o bolsa-atleta e o bolsa-pódio, os atletas conseguem se focar mais em melhorar os resultados e treinos. O fator casa também vai nos ajudar muito e será fundamental para alcançarmos a meta que o Comitê Olímpico Brasileiro deseja, que é fazer com que o Brasil termine o Rio 2016 no top-10, com o dobro das 17 medalhas conquistadas em Londres 2012”.

O ex-pugilista, dono da 14º medalha das 108 olímpicas do Brasil, também acredita que o país será mais olímpico nos próximos anos e que é preciso incentivar esta política. “Aqui, só se fala de Pan e Olimpíadas quando se está próximo das competições. Os gestores brasileiros deveriam mirar mais no global e, aí sim, nós teríamos um bom legado para o futuro. A infraestrutura que será deixada no Rio vai fazer a população usufruir deste aparato olímpico e assim criaremos novas gerações de atletas de alta performance”.

Terezinha Guilhermina, 36 anos, velocista com seis medalhas paralímpicas

A corredora mineira acredita que a estrutura nas Paraolimpíadas será muito boa, como a vivenciada na edição de Londres. “Todos os espaços precisam ser adaptados de acordo com as leis internacionais de acessibilidade. Já em relação ao Rio, eu consigo sentir melhoras, muito pelo trabalho de conscientização que a mídia e o comitê vêm desenvolvendo na promoção de políticas paraolímpicas. Minha expectativa é que a gente não seja apenas atletas com deficiência, mas heróis olímpicos que ajudem a transformar a sociedade”.