Quero ganhar medalha em Pequim

Atualizado em 25 de julho de 2016
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Um sonho ele já realizou: detém o recorde mundial nos 50 m borboleta (22s60). Agora vai lutar para tornar realidade outro: ser medalhista olímpico. A conquista do nadador paraibano de 21 anos em dezembro de 2005 colocou seu nome no seleto grupo de 11 brasileiros que chegaram ao topo do mundo da natação, mas Kaio Márcio de Almeida diz que não sente pressão pelo feito.

Entre fatos que lembra na sua trajetória de 12 anos na natação, está o estímulo que sentiu com a medalha conquistada por Gustavo Borges nas Olimpíadas de Barcelona. Mas, ao contrário de seu ídolo na natação, Kaio quer continuar com seus treinamentos em João Pessoa, onde nasceu e mora com a família e, atualmente, ainda tenta conciliar dois cursos universitários. -Está dando certo até agora-, diz.

Entre os dias 10 e 12 de fevereiro será realizada em Belo Horizonte/MG a final do Circuito da Copa do Mundo de Natação 2005-2006, e Kaio estará nas piscinas defendendo o Brasil. Entre outras provas, participará este ano do Campeonato Mundial, em Xangai, na China, e do Mundial Pan Pacífico, em Vancouver, no Canadá.

De João Pessoa, treinando no Clube Cabo Branco, Kaio Márcio conversou por telefone com o ativo.com e contou um pouco sobre seus planos e metas, pós-recorde mundial.

Você continua na Paraíba?
Kaio – Sim. Pretendo continuar morando em João Pessoa e treinando no Clube Cabo Branco (compete regionalmente pelo Clube Nikita, de Pernambuco). Não quero mexer nisso, até agora tem dado certo, então vamos deixar assim.

Ser recordista mundial pesou? Como é sua rotina de treino?
Kaio – Na verdade não sinto pressão, vou continuar fazendo o meu melhor dentro das piscinas. Treino duas horas por dia de manhã e três horas pela tarde.

Como você começou na natação?
Kaio – Comecei aos nove anos, tinha um problema de asma e ai era obrigado a ir todos os dias (rs), mas eu gostava. Nesta época fazia também futebol e vôlei, é aquela idade que você faz tudo.

Você quebrou um recorde mundial treinando no nordeste. Imaginava que conseguiria isso?
Kaio – Os jogos olímpicos de Atenas me ajudaram a ter mais foco na minha carreira, mais concentração. O clima dos jogos me deu este estímulo e me deixou mais empolgado, com a certeza que tinha que investir em treinamentos e batalhar nas competições.

Quais suas principais dificuldades nestes anos dedicados à natação?
Kaio – As barreiras que enfrentei fazem parte do dia a dia, é a rotina cansativa, ter que acordar cedo, dormir cedo, não poder sair à noite, é uma vida muito regrada. Os treinos também são sacrificantes, às vezes fico muito cansado e sem vontade fazer, porém, por isso é muito importante ter foco, entender que é algo difícil, mas que você tem uma meta para atingir.

Mas você sonhava em viver da natação?
Kaio – Nunca passou pela minha cabeça viver da natação, de conseguir ter uma condição financeira legal com ela, mas hoje há mais incentivo e investimentos (depois do recorde Kaio fechou dois novos patrocínios, com a Eletrobrás e Chesf). A natação brasileira está crescendo, tendo uma nova cara, com muitos atletas despontando, temos uma equipe muito forte. Porém, eu sei que este período passa muito rápido e tenho que pensar no futuro, por isso mesmo faço duas faculdades, de Educação Física e Psicologia.

Como você consegue conciliar tanta coisa?
Kaio – Na verdade não consigo (rs) vou levando… tento me dedicar o máximo que posso, em um semestre tranco um curso, retomo e ai tranco o outro.

Quem são seus ídolos no esporte?
Kaio – Na natação Gustavo Borges, me emocionei com a medalha que ele conquistou nas Olimpíadas de Barcelona, serviu como estímulo para mim. E no geral, Ayrton Senna.

Quais são suas apostas para os Jogos Pan-americanos 2007?
Kaio – Vai ser um Pan muito difícil, temos a equipe dos Estados Unidos, que é muito forte, e a equipe do Canadá, que melhorou bastante. Não será nada fácil.

Depois de conseguir ser recordista mundial, qual seu sonho?
Kaio – Ganhar uma medalha nas Olimpíadas de Pequim em 2008.

Recordistas Mundiais Brasileiros

1936 – Maria Lenk – 400m peito/borboleta (prova que não existe mais)
1960 – Manoel dos Santos – 100m livre
1968 – Silvio Fiolo – 100m peito
1982 – Ricardo Prado – 400m medley
1993 – Gustavo Borges – 100m livre
1993 – Gustavo Borges, Fernando Scherer, Teófilo Ferreira e José Carlos Júnior – 4x100m livre
1998 – Gustavo Borges, Fernando Scherer, Carlos Jayme e Alexandre Massura – 4x100m livre
2005 – Kaio Márcio Almeida – 50m borboleta