Diagnóstico do Esporte: 41,9% são sedentários

Atualizado em 26 de abril de 2016
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O Brasil teve aumento no número de praticantes do esporte ou atividades físicas, mas também viu crescer o percentual da população sedentária, principalmente na região Sudeste. As informações são do Ministério do Esporte em parceria com o Instituto Visão e as principais universidades das cinco regiões do país, que divulgou esses resultados por meio do Disporte (Diagnóstico Nacional do Esporte), um grande estudo realizado entre 2010 e 2014.

A pesquisa apontou que 41,9% dos brasileiros são sedentários, sendo que o Sudeste lidera na porcentagem de região com maior número de pessoas que não praticam nenhum tipo de atividade física ou esporte (54,4%). O Centro-Oeste é a segunda região mais sedentária, com 45,1%, seguido do Sul (39,3%), Nordeste (38,5%) e Norte (37,4%). As mulheres entrevistadas se mostraram menos inclinadas ao exercício (50,4%), contra 41,2% dos homens.

Para o Governo, o principal objetivo do Diagnóstico do Esporte é incluir a atividade física no cotidiano dos brasileiros e aproveitar a força e a atenção do Rio 2016 trará para tornar o esporte como parte integrante e indissociável da formação integral da população. A pesquisa, realizada com 8.902 pessoas, entre 14 e 75 anos, ajudou os pesquisadores a traçarem um perfil mais completo de como são os hábitos e preferências dos brasileiros que se exercitam e os que são sedentários.

Comparação com outros países

O Diagnóstico Nacional do Esporte também utilizou dados da  OMS  (Organização Mundial da Saúde)  para comparar o Brasil com outras nações. Segundo a pesquisa, a taxa de sedentarismo brasileira (41,9%) é bem menor que a de países como Argentina (68,3%) e Portugal (53%) e ligeiramente menor que a da Itália (48%). Quando comparado aos Estados Unidos (40%), o país ficou um pouco acima. Já na Espanha (35%), no Uruguai (34,1%), no Canadá (33,9%), na França (22%) e na Inglaterra (17%) os sedentários se mostraram muito menos numerosos.

Preferências esportivas

Ainda segundo Ministério do Esporte, o brasileiro, em geral, começa com a prática esportiva na escola, na faixa entre seis e dez anos. 48% dos que praticam alguma atividade física começaram durante aulas de educação físicas e incentivados por um professor. 9% começaram em clubes ou instituições privadas.

Das modalidades favoritas entre os brasileiros, o futebol venceu com larga margem, com 59,8%. A corrida de rua é o quinto na preferência, com 2,8%. O futebol também liderou a pergunta “quando você pensa em esporte, qual é a primeira imagem que lhe vem à cabeça?”, com 60,5%. A corrida foi o décimo item, com 1,1%. Já no quesito atividade física, a primeira imagem foi a da caminhada (30,7%).

Entre os corredores, a maior concentração está no Centro-Oeste (8%). O Norte vem logo atrás, com 6,3%, com o Sudeste em terceiro (5,2%). As regiões que menos correm são o Nordeste (4,4%) e o Sul (3,6%).

Dentre os entrevistados, o principal motivo para se exercitar, segundo dados da pesquisa, está em ter qualidade de vida e bem-estar (41,4%). A opção melhoria no desenvolvimento físico ficou em segundo lugar (37,8%) seguida de “relaxar no tempo livre”, com 6,3%.

Riscos

O dado mais alarmante divulgado pelo mapeamento do Diagnóstico do Esporte é que 90,3% dos entrevistados nunca tiveram ou receberam orientações de um profissional para praticar esportes ou atividades esportivas. Além disso, os brasileiros também mostraram terem consciência dos riscos que correm por serem sedentários, mas muitos não se motivam para reverter os hábitos: no Sudeste, por exemplo, 41,5% dos entrevistados disseram que não pretendem começar a realizar alguma atividade física por enquanto.

A turma dos que têm “preguiça e falta de interesse” para o esporte chegou à média nacional de 11,8%. A falta de tempo também é uma grande vilã à vida esportiva e aliada do sedentarismo: 69,8% dos brasileiros abandonaram a prática esportiva por motivos de estudo, trabalho ou família. A média dos que se dizem “sem tempo” para se exercitar bateu a casa dos 58,8%.