A corrida é mais difícil para as mulheres?

Atualizado em 29 de junho de 2017
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Por Gabriela Capo

Infelizmente nós, mulheres, somos predispostas a mais lesões musculoesqueléticas do que os homens. Principalmente por causa de alterações hormonais, nosso corpo tornasse mais vulnerável e, assim, devemos cuidar mais e melhor dele. Por sermos o “sexo frágil”, nossa musculatura precisa ser mais bem trabalhada para que o impacto da corrida não prejudique os ossos, causando o enfraquecimento e, consequentemente, a quebra deles. As lesões femininas não são totalmente evitáveis, uma vez que são decorrentes da alteração hormonal tanto da menarca quanto da menopausa. “Há duas fases na vida da mulher em que a alteração hormonal é tão grande que acaba prejudicando diretamente a fase de estruturação óssea: quando ainda adolescentes, na menarca e no climatério, que é a fase da menopausa”, explica Rogério Teixeira da Costa, ortopedista e especializado em medicina esportiva. “Essa desestruturação leva à osteoporose”, completa. Existe um estudo que mostra como a mulherada sofre mais na corrida. Foi feito com corredores dos doiss sexos. “A incidência de fratura por estresse na tíbia é maior em mulheres, justamente por elas terem o quadril mais largo que o do homem e o joelho em ‘x’ (joe lhos voltados para o lado de dentro)”, explica Rogério.

Algumas dicas para salvar o dia. “Se a mulher ainda não pratica a corrida, ela deve ter um preparo muscular prévio. Se o preparo for adequado, os ossos e tendões sofrerão menos impacto”, explica Teixeira. Kelly Cristina Stéfani, ortopedista da Santa Casa de São Paulo, reitera: “É extremamente importante que a mulher fortaleça os músculos com musculação, treinamento funcional ou pilates. O impacto da corrida, assim, não vai diretamente para os ossos, ele para na musculatura fortificada”. Além disso, avaliações médicas são essenciais. “A primeira coisa que as mulheres devem fazer é passar por avaliações no cardiologista”, diz Kelly. “Caso a pessoa tenha qualquer alteração do ponto de vista cardiológico, essa prevenção serve para que o problema não tome proporções grandiosas.” Em segundo lugar, deve-se acompanhar um nutricionista especializado e que elabore uma dieta individualizada. Os níveis de gordura corpórea permanecem na normalidade. “Assim, a tríade da mulher atleta — aquela que come pouco, tem disfunção hormonal e então osteoporose — não acontece”, complementa a ortopedista.

Alimentação
Não só o leite e derivados contêm cálcio. Ele é encontrado no agrião, espinafre, laranja, beterraba ou aveia. Assim, você pode variar na dieta sem deixar de consumi-lo. “A alimentação ideal é rica em cálcio e vitamina D — basicamente leite e derivados. Além disso, é melhor fazer uma dieta em que proteínas vegetais e animais sejam usadas, para dar mais espaço ao armazenamento de energia no músculo sem aumentar o índice de gordura”, explica Rogério.

Sexo frágil
– O quadril largo e a alteração hormonal são as principais causas do enfraquecimento ósseo.
– A alimentação rica em cálcio (laticínios, folhas escuras) e vitamina D (peixes), vinculada ao exercício físico, retarda o aparecimento da osteoporose.
– Para que o osso não sofra durante a corrida, deve-se trabalhar a musculatura para que esta receba o impacto.

(Fontes: Rogério Teixeira da Costa, presidente do Comitê de Traumatologia Desportiva, coordenador do Núcleo de Estudos em Esportes e Ortopedia (NEO), formado em ortopedia e especializado em Medicina Esportiva pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Kelly Cristina Stéfani, mestre em ortopedia e traumatologia pela Santa Casa de São Paulo, Médica ortopedista do Hospital Samaritano e médica-sócia da Alliance Clínica – Medicina do Esporte)

(Matéria publicada na Revista O2 – edição #90 – outubro de 2012)