Caso Pistorius: polêmica continua no julgamento

Atualizado em 08 de agosto de 2016
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Os últimos três dias de julgamento do paratleta sul-africano Oscar Pistorius – acusado de assassinar sua ex-namorada, a modelo Reeva Steenkamp – foram bem agitados. Na última quinta-feira (06), o radiologista e vizinho do velocista Johan Stipp – que vive a 72 metros do local da morte – confirmou a versão de Pistorius. De acordo com a defesa do corredor, o disparo teria acontecido, pois ele acreditou que Reeva fosse um assaltante.

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icon texto_menor  PRIMEIROS DIAS DE JULGAMENTO 

Stipp foi uma das primeiras pessoas a chegar à casa do paratleta, no dia 14 de fevereiro de 2013, após escutar os tiros. Segundo o vizinho, Pistorius já estava tentando desobistruir as vias respiratórias da namorada para evitar sua morte. Em seguida, suplicava ao radiologista para que a socorresse.

Segundo Stipp, o velocista rezava ao lado do corpo de Reeva. Nesse momento, Pistorius dizia que dedicaria sua vida e a de sua namorada a Deus, caso ela sobrevivesse. O vizinho teve medo que o paratleta tentasse suicídio.

Ao tentar resgatar Reeva, o radiologista verificou um ferimento irreparável na cabeça. Pistorius já havia descido a mulher do quarto para a sala, no primeiro andar da casa.

Na última sexta (07), quinto dia de julgamento, uma ex-namorada do sul-africano trouxe mais polêmica ao caso. Samantha Taylor contou uma história no tribunal em que estava com Pistorius e um casal de amigos em um carro quando foram parados pela polícia por excesso de velocidade.

Darren, amigo do paratleta e motorista do carro, e Pistorius saíram do automóvel, a pedido dos policiais. O velocista portava uma arma e a deixou no banco do passageiro. As autoridades apreenderam o objeto, o que deixou o corredor irritado. Samantha conta que Pistorius disse ao policial que ele não tinha o direito de tocar sua arma.

Após serem liberados, o velocista e seu amigo atiraram – pelo teto solar do automóvel – em um semáforo, segundo ela, “para relaxarem”. Ambos caíram na risada, afirma a ex-namorada.

A resposta mais importante, porém, foi outra. Durante a interrogação, Samantha foi perguntada sobre a voz de Pistorius nos momentos em que se alterava ou estava com raiva. Ela foi firme ao dizer que o som de sua voz era masculina.

Nos primeiros dois dias de julgamento, outros vizinhos relaram uma discussão antes dos tiros – inclusive, com uma voz feminina. Os advogados de defesa garantem que apenas Pistorius gritou e que a voz poderia ter ficado mais aguda por conta da emoção.

Nesta segunda-feira (10), foi a vez do legista Gert Saayman dar seu depoimento. Quando ele falou sobre os ferimentos encontrados no crânio de Reeva, o paratleta vomitou em um balde que estava entre seus pés, no banco dos réus. Pistorius estava visivelmente abalado no tribunal. O legista também relatou ferimentos na região do quadril e nas mãos da modelo.

Por considerar o conteúdo das palavras de Saayman de “natureza explicitamente gráfica”, a juíza do caso, Thokozile Masipa, decidiu que o depoimento não fosse transmitido ao vivo – nem via Twitter.