A dificuldade de formar uma equipe sólida

Atualizado em 27 de abril de 2016
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 Formar equipes sejam para quais fins sempre é um grande desafio que a história da humanidade nos mostra. A primeira formação de equipe de que temos notícia foi formada pelos egípicios na construção das pirâmides, eles competiam em equipes umas contra as outras, pois a equipe vencedora conseguiria ir para o outro mundo, tão desejado por eles.

Na Expedição Mistralis – velejando e conscientizando 2005, que percorreu parte do litoral da Bahia, tivemos dificuldades em montar uma equipe tanto para irmos velejar pelo litoral, quanto para realizarmos as atividades de educação ambiental.

Saimos do Rio de Janeiro com uma equipe e no meio do caminho os problemas foram surgindo e a equipe se desmanchando, até que conseguimos nos estruturar em Salvador e realizarmos o nosso trabalho de educação ambiental.

Contudo, não foi fácil encontrar pessoas dignas e capazes de realizar tal trabalho. Precisávamos de profissionais com experiência embarcada, que não enjoassem, que fossem excelentes educadores ambientais, ótimos fotógrafos e, principalmente, que soubessem interagir em grupo e conviver com as diferenças. Além do lado profissional, a pessoa tem que ser uma boa companheira e ajudar em todas as fainas do barco.

A bordo, convivemos em um ambiente completamente restrito, sem nenhuma mordomia. Temos que fazer turnos independente do tempo (com chuva, com frio, na madrugada), não temos água quente no barco, temos que dividir o mesmo banheiro, conviver com as mesmas pessoas todos os dias, a rotina de um passa a ser a rotina de todos. Mas, a rotina é a rotina do mar.

Todos têm que dormir cedo, acordar cedo. Os hábitos individuais ou mudam ou a pessoa vai embora, pois o mar não se adapta a pessoa, o sol vai sempre amanhecer cedo, pelo menos aqui no Brasil. No nordeste o sol amanhece cada vez mais cedo e às 7 horas já está quente, às 18 horas já está escurecendo. E quando escurece e estamos em um vilarejo afastado temos que dormir cedo para acompanharmos a rotina da população local, que habituada com o clima acorda quase de madrugada e dorme muito cedo.

O hábito de todos têm que mudar de acordo com o ambiente em que estamos inseridos, mas isso é o mais fácil. Mudar em relação ao meio ambiente. Mas e quando os egos colidem? E quando um quer falar mais alto que o outro? Em um barco só pode haver um comandante, isso é unânime em todo e qualquer porto, em todo e qualquer barco.

Convivo no mar desde o meu nascimento e a maior experiência que tenho com autoridades é a disputa normal que existia entre eu e meu irmão. Depois de um tempo, percebemos que cada um tinha uma melhor função a bordo do barco, eu era o melhor capitão e ele o melhor navegador. Claro, que ambos pediam e trocavam opiniões, mas nos momentos decisivos nenhum se intrometia no trabalho do outro. Quando temos que entrar em um porto eu pergunto para ele qual a melhor rota, ele me diz e eu confio cegamente nas orientações dele. Quando tenho que atracar o barco ou estamos enfrentando um temporal ele segue as minhas orientações, e assim em outras várias fainas do barco. Em um barco todos têm as suas funções muito bem definidas.

Agora me deparo com a dificuldade de montar a Equipe Mistralis 2008/9. Dessa vez serão longos meses a bordo do Mistralis, um convívio muito maior, um trabalho mais complicado que irá exigir ainda mais dos participantes. Onde não poderão haver falhas e que as pessoas devem estar completamente bem inter-relacionadas. Não pode haver grandes conflitos, e nenhuma disputa de poder. Todos têm que saber onde é o seu lugar.

As funções não são exatamente bem definidas. Como seremos apenas 4 tripulantes fixos e mais outros 4 visitantes teremos que contar apenas com o número fixo de tripulantes, pois os visitantes irão nos ajudar apenas em seus momentos de férias e descanso do trabalho.

Estaremos incumbidos de fotografar, filmar, pesquisar, mergulhar, velejar, educar, enfim, de todas as funções que a Expedição irá demandar. Todos irão participar das funções básicas da Expedição, sendo que as especialidades ficarão divididas.

Desta forma, eu serei o responsável pela liderança, navegação, segurança, atracação, coordenação, filmagem, solda, reparos e manutenção de todo o barco. Meu irmão será o responsável, quando ele embarcar em fevereiro de 2009, pela navegação, segurança e fotografia. Minha mãe será a médica de bordo e a médica de família da Expedição, ele será o nosso contato com as comunidades e fará o trabalho de auxiliar as famílias mais humildes para uma melhoria nas condições de higiene e saúde. Para isso iremos tentar o apoio das secretarias de saúde das regiões que iremos atender. Além das atividades de EA iremos realizar breves escolas de vela ao longo de todo o nosso trajeto e também estaremos promovendo o turismo sustentável um projeto que será desenvolvido por Adriana Overgoor, que irá embarcar no começo de 2009.

A educação ambiental (EA) será realizada por profissionais que iremos selecionar em breve, pois já tivemos sérios problemas em tentarmos selecionar pessoas que estavam interessadas em participar e que acabaram atrapalhando o desenvolvimento do projeto. Começamos a selecionar os candidatos para a próxima expedição, os interessados precisam ser formados em ciências biológicas ou oceanografia, ter experiência com educação ambiental, experiência embarcado e acima de tudo não pensarem financeiramente nesse projeto, pois todos que embarcarem conosco têm que ter por meta a educação ambiental e a preservação do meio ambiente como paixão, como objetivos de vida. Os interessados devem mandar um e-mail com curriculum vitae para mistralis@gmail.com.

Contamos com o apoio de diversas pessoas extremamente qualificadas para a escolha dos candidatos para o trabalho de EA. Agora nos resta terminar a reforma do veleiro Mistralis e montarmos todo o material de EA.