Um cafezinho e muitos quilômetros para rodar

Atualizado em 18 de agosto de 2014
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A palavra café é praticamente igual em todos os idiomas, sinal da absoluta popularidade da bebida. Seu princípio ativo 1, 3, 7 trimetilxantina, mais conhecida como cafeína, é consumido diariamente por crianças, adolescentes, adultos e idosos, por meio de bebidas como a Coca-Cola, café, chá, guaraná e chocolate. Utilizada tanto na farmacologia, quanto no esporte, ela traz consigo grandes benefícios. Portanto, deve-se ter cautela em sua utilização.

A cafeína sempre mexeu muito com o mundo científico, devido seus fins terapêuticos e ergogênicos. Sua ação é bem ampla, e seu uso vai deste a ação bronco-dilatadora em asmáticos até ao estímulo da produção de calor, o que talvez explique alguns efeitos emagrecedores.

No meio esportivo, a cafeína é bastante utilizada por atletas na busca de benefícios ergogênicos que possam melhorar seu rendimento. Ela contribui para uma melhora na resistência, em decorrência de sua capacidade de intensificar a mobilização de ácidos graxos e dessa forma preservar as reservas de glicogênios.

Outras utilizações da cafeína:
– Retardo da fadiga, pois está relacionada à regulação das concentrações de potássio no meio extra e intracelular;
– Redução da percepção da dor;
– Aumento da diurese;
– Efeito estimulante, diminuindo a percepção ao esforço, que torna seu uso relevante em competições longas e treinos exaustivos;
– Em exercícios prolongados aumenta a lipólise (quebra de gordura), pois mobiliza ácidos graxos, aumentando assim a oxidação de gordura e reduzindo a utilização de carboidratos (glicogênio);
– Aumenta o estado de alerta: a cafeína tem sua estrutura parecida com a adenosina (neurotransmissor natural que dilata os vasos sanguíneos, reduz frequência cardíaca e pressão arterial, levando a um estado de sonolência), devido a esta semelhança, a cafeína liga-se nos mesmos receptores de adenosina. Portanto, ela não diminui a atividade das células como a adenosina faz. Isso significa que em lugar de dilatar os vasos, como normalmente a adenosina faz, ela contrai (vasoconstrição). Ao mesmo tempo em que essa ação ocorre, outras reações são desencadeadas, como a liberação de epinefrina e noraepinefrina, responsáveis pela resposta de luta e fuga do nosso organismo, que reduz o fluxo de sangue em órgãos menos necessários e aumenta o fluxo no cérebro, por exemplo, fazendo a pessoa se sentir mais alerta e acordada.

Sua utilização deve ser sempre feita com orientação de um profissional capacitado. O protocolo de utilização sugere o uso de 3 a 6mg por quilograma de peso corporal. Altas doses de cafezinho podem desencadear tremores involuntários, aumento da pressão arterial e da frequência cardíaca. Além disso, ela estimula a secreção gástrica de ácido clorídrico, não sendo indicada para pessoas com gastrite e úlcera digestiva, pode ainda alterar a qualidade do sono.

(texto em colaboração de Ana Paula Martins, da equipe da nutricionista Priscila Di Ciero)