Corrida e doenças emocionais

Atualizado em 20 de setembro de 2016
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Trabalho com esporte há, aproximadamente, 30 anos e vi a crescente utilização da prática esportiva em várias áreas. Nas empresas, fui um dos primeiros a tentar levar o esporte como uma forma de “desestressar” os profissionais, evitando doenças emocionais e ainda ajudando a envolvê-los com maior profundidade nos projetos da empresa. Acredite, o esporte faz isso com as pessoas!

Certa vez, visitei uma empresa que me chamou para uma reunião, pois gostaria de saber mais a respeito da utilização da corrida para ajudar no tratamento de doenças emocionais. A empresa tinha, em sua maioria, profissionais entre 25 e 30 anos. O que me intrigou. Acabei ficando mais preocupado quando soube que o RH da empresa era dividido em saúde física e saúde mental. Então, fiquei assustado quando me passaram o dado de que 65% dos profissionais dali já haviam passado por um quadro de estresse naquele ano (estávamos em junho). Na conversa, fui entendendo um pouco a respeito do tipo de trabalho alucinante que a empresa desenvolvia e ficou fácil compreender quais seriam as consequências.

Os benefícios físicos da corrida são muito divulgados e facilmente observados. Já os benefícios emocionais estão sendo observados e analisados há menos tempo, mas as respostas são cada vez mais claras.

Quando uma pessoa entra em um quadro de estresse algumas mudanças de atitude começam a aparecer: irritabilidade, desequilíbrio do sono, desequilíbrio da fome, inquietação… Depois de algum tempo, o quadro se agrava e a pessoa começa a ficar mais introspectiva, sem comunicação e reclusa. Imagine o prejuízo que todos esses efeitos podem causar na vida e também na profissão de uma pessoa. Ainda mais em um mercado competitivo profissionalmente e que exige cada vez mais a participação com trabalho de equipe e até como postura de liderança.

A atividade física entra para tentar inibir a evolução de todos estes sintomas de doenças emocionais e age com respostas fisiológicas: o corpo libera alguns hormônios e neurotransmissores que ajudam a corrigir esse déficit acarretado pela doença. As características da atividade física colaboram na recuperação social e na manutenção da atividade em grupo, evitando também o isolamento.

As doenças emocionais como estresse, depressão e síndrome do pânico acontecem muitas vezes por conta da vida competitiva que levamos. A atividade física é realmente uma grande aliada. Porém, se você não mudar a forma de ver as situações e como leva a sua vida, só o esporte pode não dar conta de tanta pressão. Mas isso é papo para um próximo post.

Boas corridas!