Corrida de rua e o movimento da vida

Atualizado em 13 de julho de 2018
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Nosso organismo depende fundamentalmente do movimento para se manter em condições ideais. Ele funciona de forma parecida com uma orquestra, que consegue, quando bem regida, realizar verdadeiros milagres. Pude constatar ao longo dos meus 60 anos de experiência com todo tipo de pessoas, com os mais variáveis problemas de saúde, o quanto o movimento proporciona uma magnífica regência desta incomparável orquestra que é o nosso organismo, promovendo saúde plena.

O movimento é a essência da vida e o melhor tipo é aquele que ativa não apenas um local específico do corpo, mas a maior parte dele. Quando a pessoa trabalha poucos músculos ao mesmo tempo, como no caso da musculação, ela não consegue acionar, de forma orquestrada, o coração, a respiração e a circulação sanguínea. Por isso não é o melhor trabalho físico para promover harmonia no organismo — apesar de ótima para o corpo.

A corrida de rua, em contrapartida, possui a qualidade de colocar o maior número de músculos em ação ao mesmo tempo e é a forma mais natural para otimizar nosso funcionamento orgânico. A corrida exige o envolvimento de todo o aparelho cardiovascular, trazendo benefícios incomparáveis para a saúde.

Quanto mais a pessoa se cuida realizando uma corrida responsável, com critério e bom senso, sem ficar com a respiração ofegante, mais ela vai se afastando das enfermidades. Quem não adota o esporte como forma de colocar o corpo em movimento acaba por se tornar, com o passar do tempo, uma presa fácil para todo tipo de desequilíbrio e doenças.

Se você, meu caro leitor, pensar bem, vai se dar conta de que todas as doenças que estão por aí acabam sempre ocorrendo depois de muitas décadas de total desprezo com o corpo. As pessoas de hoje dormem e se alimentam mal, não colocam o corpo em movimento agradável e só pensam em problemas. Com esse conjunto regendo a vida, é óbvio que o corpo vai sofrer as consequências. Ou seja, aumentam-se os riscos de hipertensão, AVC ou até mesmo infarto do miocárdio.

E o que fazer nessa situação? Nada além de remediar, já que, por anos, a pessoa abusou do seu corpo e se esqueceu de uma das regras mais básicas da vida: o movimento! Se o governo exigisse nas escolas de todo o País que somente aqueles que tivessem desenvolvido uma bela eficiência cardiovascular poderiam se formar, não teríamos de usar tanto a remediação, já que haveria algo muito melhor: a prevenção.

Querido leitor, dê ao seu organismo a chance de se organizar e de manter-se regido como numa orquestra, com o movimento apropriado ditando seu trabalho. Adotar hoje a corrida de rua como parte da vida vai contribuir para que o seu futuro seja repleto de saúde. Acredite em mim, eu fiz isso e me sinto ótimo aos 76 anos. Então, o que você está esperando para começar?

(Coluna publicada na Revista O2, edição #142 – março de 2015)

 *Por Nuno Cobra