Afinal, devo ou não ter o glúten na dieta?

Atualizado em 20 de janeiro de 2015
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Segundo os princípios da reeducação alimentar, tudo em exagero pode não ser positivo. E com o glúten não é diferente. Primeiro, entenda que o glúten é uma fração proteica presente na aveia, cevada, malte, centeio e trigo. Entre os “supostos vilões” da dieta, de hoje em dia, está o exagero ao consumir o glúten (há anos) ao consumir pães, biscoitos e massas, em geral – que são importantes fontes de carboidratos.

A má digestão do glúten pode causar sérios problemas intestinais, pois bactérias e fungos que vivem na microbiota consumirão esse alimento para obter energia e se multiplicar. Em excesso, esses microrganismos são prejudiciais e causam inflamações que levam à microfissuras na parede do intestino, uma das causas da chamada disbiose.

Um indivíduo com disbiose pode se beneficiar, por um tempo, de uma dieta sem glúten até que o quadro melhore, orientado por um nutricionista. A reação, na verdade, não é uma exclusividade do glúten, e pode ser desencadeada por qualquer alimento que seja consumido em excesso (no caso do doente celíaco, essa exclusão deve ser permanente, ok?).

Quanto à disbiose, quando essa parede intestinal deixa de ser íntegra, o organismo fica despreparado para reconhecer nutrientes em suas formas mais simples, como vitaminas, minerais, aminoácidos, glicose, gorduras, etc. E deparando com um alimento que foi mal digerido (como por exemplo, o glúten), o organismo reconhece como algo estranho e deve ser eliminado. Daí, então, dispara o problema: uma reação inflamatória começa para combater esse “agente estranho” presente na circulação. Muitas doenças (como o diabetes) e problemas estéticos (como a acne e a celulite) têm base nas reações inflamatórias.

As consequências causadas pela hipersensibilidade ao glúten podem se manifestar de diversas formas, como: inchaço abdominal, diarreias, intestino preso, rinite, asma, artrite, prurido anal, artrite e outros problemas articulares como artrite/artrose, infertilidade, doenças autoimunes da tireóide (como a tireoidite de Hashimoto), dermatite, acne, e alterações de humor, como ansiedade, depressão e até mesmo a síndrome do pânico. O autismo vem sendo muito estudado associando-se ao tratamento uma dieta sem glúten e outros alergênicos. Outro problema que pode ser agravado pelo consumo da proteína do glúten nessas pessoas é a TPM (tensão pré-menstrual), problema que atinge grande parte das mulheres e que causa diversos desconfortos.

Quem for diagnosticado como celíaco, tiver hipersensibilidade ou quiser diminuir a ingestão do glúten, pode substituir o trigo, aveia, cevada, centeio e malte por arroz, milho, quinua, soja, amaranto, batata, mandioca, trigo sarraceno e inhame, entre outros. E preparar pães sem glúten, comer tapioca do café da manhã, mingau de quinua… E por aí vai!

Um nutricionista vai ajudá-lo com tudo isso. Não se estresse. Esse profissional prioriza a individualidade bioquímica, e saberá se uma dieta sem glúten é adequada para seu caso ou não. A retirada do glúten não é para todos, mas realmente algumas pessoas que vem consumindo podem se beneficiar da retirada total ou parcial dessa fração proteica da dieta.

Quer uma receitinha? Aprenda uma tortinha sem glúten de trigo sarraceno.

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