A São Silvestre não é mais a mesma

Atualizado em 20 de setembro de 2016
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Este ano eu não estava inscrito na São Silvestre e resolvi acompanhá-la de fora, na esquina da Avenida Brigadeiro Luís Antônio com a Avenida Paulista. O que eu vi? Uma corrida simples. Sim, estruturalmente a prova há tempos vem deixando a desejar. Mudanças no horário da largada, no percurso, medalhas entregues antes mesmo do início, postos de hidratação mal posicionados e outros detalhes comuns nos últimos anos foram “matando” uma das provas mais carismáticas do país.

O que sobrou, então? Simplesmente uma manifestação de “descarrego” de final de ano, como se a São Silvestre tivesse sido abalada por tudo o que o país passou nos últimos 365 dias. Não encontrei a “noiva corredora”, o “Hulk” estava magrinho e o “Bob Esponja” cabisbaixo. A Corrida de São Silvestre de 2015 estava sem criatividade, sem vida, sem alegria, sem fantasias, sem a animação de quem quer realmente iniciar o ano com novo astral.

Outro exemplo claro da perda do interesse da população com a São Silvestre é visto no público que acompanha a prova na região da Avenida Paulista, que em 2015 diminuiu muito com em relação a 2014. Não foi colocada arquibancada na chegada da prova. O que, na verdade, não fez muita falta, tendo em vista que o público se acomodou muito bem na região, com um pequeno sufoco na esquina com a Avenida Brigadeiro Luís Antônio, onde a prefeitura resolveu colocar o palco do show da virada.

Sei que pareço um pouco pessimista quanto às organizações das corridas, mas não sou! Muito pelo contrário. As provas de rua melhoram a cada ano e cada vez mais a experiência e a tecnologia as deixam mais agradáveis e interativas. A questão que eu gostaria de levantar com você, amigo leitor, é simplesmente o que faz uma prova ser diferente das outras, como sempre foi a São Silvestre. Ela sempre possuiu o lado “romântico” de uma data especial, que fazia as pessoas se fantasiarem, saírem da rotina do seu dia e viver um novo personagem. Isso, sim, estamos perdendo…

De igual, pelo menos, temos algo: os africanos continuam bem na fita!