Rodolfo Gaioto/WOD NewsFoto: Rodolfo Gaioto/WOD News

Rumo ao CrossFit Games 2018: Anita Pravatti

Atualizado em 19 de janeiro de 2018
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A dedicação de uma atleta de elite que, mesmo aos 31 anos de vida e já com uma filha, não abandona o sonho de ser a primeira brasileira na principal categoria do CrossFit Games é de impressionar. Luta com a rotina de atleta, mãe, coach e agora empresária, mas não perde o foco e garante seu único e maior objetivo: Rumo ao CrossFit Games 2018.

Anita Pravatti competiu pela quinta vez nos Regionais do CrossFit Games em 2017. Com exceção de 2013, ano de sua gestação, esteve lá em todos os anos que tentou vaga (2012, 2014, 2015 e 2016). Em 2014 conquistou o quarto lugar, seu melhor resultado até hoje, mas lembra que foi pega de surpresa.

“Minha filha tinha um ano, voltei da gestação só pensando e emagrecer e acabei passando do Open. Aí eu tive que ir né? (risos), Na época ela ainda mamava, tive que leva-la comigo. Acabei indo bem mas não classifiquei porque o formato era outro, só atletas da América Latina. Deve ser sido por isso, fui sem pretensão e sem pressão nenhuma”.

 

 

2017: positivo, mas ainda há o que melhorar

A partir de 2015 o novo formato foi implantando e as atletas latinas passaram a competir também com as americanas. Naquele ano, Anita Pravatti ficou na 37ª colocação. Em 2016, evoluiu e terminou em 17ª. Em 2017, teve seu melhor resultado nesse novo formato, mas mesmo com a 15ª colocação, teve o sonho adiado, já que apenas as cinco melhores de cada região se classificavam para a competição.

“Na primeira prova tinha o meu pior movimento. Eu tenho uma lesão de antes do crossfit no ombro direito que vai e volta com o tempo. Meses antes ela voltou, fiquei alguns meses sem fazer Handstand Push-Ups e só perto da competição que pude fazer com a liberação do meu médico. Fiquei feliz por não ter sentido dor, mas não fiquei contente com o meu resultado. Se tivesse feito uma prova melhor finalizado até a 20ª posição, eu já teria ficado entre as 10 melhores.”

Embora não tenha conquistado seu maior objetivo como atleta e não realizado seu sonho, a atleta natural de Vinhedo, interior de São Paulo, conquistou em 2017 o TCB, principal competição do Brasil pela quarta vez. Anita Pravatti já era dona dos títulos de 2011, 2015 e 2016.

FOCO EM 2018

“Meu foco é o Open e os Regionais, e não o TCB. Ele acontece durante a periodização dos meus treinos, então chegando mais perto do torneio eu priorizo alguns movimentos parecidos e realizo as provas, mas não faço minha preparação pensando no TCB, é tudo focado no CrossFit Games”.

Nessa etapa no ano, pouco depois de ter conquistado mais um título brasileiro, seus olhos e pensamentos já estão voltados para o Open, em fevereiro.  “É o meu sonho de todo dia, durmo e acordo pensando em conseguir ir para o CrossFit Games. Com certeza 2017 foi um dos nossos melhores anos, mas ainda pode melhorar muito”.

“Nessa fase atual a gente prioriza a força. E não é só peso, a gente trabalha a região do core, força ginástica, a técnica dos exercícios. São trabalhos bem específicos para correção mesmo”, comenta a atleta. “Para janeiro, fevereiro, já começa a colocar um pouco mais de intensidade, alguns WODs no meio do treino pra gente lembrar como é sofrer (risos) porque o Open é assim, WODs curtos, mas que exigem muito do atleta”, afirma a sempre bem humorada Anita Pravatti.

Dos sete dias da semana, ela conta que só descansa um e que costuma treinar até cinco horas por dia. “Geralmente [descanso] no domingo, mas pode variar de acordo com minha rotina. Não tenho como regra treinar dois períodos ou fazer tudo de uma vez só. Tenho a resistência boa e gosto de treinos diretos, longos. Então se vejo que dá pra fazer tudo de uma vez, eu faço. As vezes é um pouco mais puxado ou preciso voltar pra casa para fazer alguma coisa, então pode variar”.

Questionada sobre seus pontos fortes e fracos, ela mantém o bom humor e reforça que sempre há o que melhorar. “Meu ginástico não é bom porque sou alta e pesada, mas mesmo assim também não tenho muita força. Costumo falar que não sou muito boa em nada (risos), mas sei me virar em tudo. Treino muito minha força e meu ginástico, mas resistência é meu ponto forte, essa coisa de aguentar bem WODs longos, não cansar rápido”.

NOVAS METAS, NOVOS SONHOS

Anita foi por dois anos atleta da PAM CrossFit, um dos boxes de maior estrutura do país, localizado em Paulínia, interior de São Paulo, mas recentemente divulgou em suas redes sociais mais um de seus projetos: a inauguração da Pravatti CrossFit, box que abriu em parceria com seu marido e uma sócia.

“Eu saí da PAM. Era um projeto antigo meu e do meu marido, nosso sonho, nossa segunda casa. Além disso, vou ter mais liberdade para treinar e me doar um pouco mais. É um box pequeno, para poucos alunos, bem com a cara de crossfit mesmo”, conta animada. Agora como empresária, Anita não deve abrir mão de duas de outras funções que ama: a de coach e a de mãe.

“Lá eu dou aula e vou conseguir equilibrar melhor meus horários com minha filha e meu marido. Ele me ajuda muito, porque minha filha tem só 4 anos. As vezes não é fácil, porque tenho que ir até campeonatos e eventos e quem cuida de tudo é ele. Mas é assim, eu chego em casa depois de muito treino e encontro com ela toda animada, querendo brincar. Tenho que desligar a chave da Anita atleta e virar a Anita mãe, mas essa é a minha recompensa.”

E haja ajuda para seguir em alto nível aos 31 anos: Anita Pravatti tem o suporte de patrocinadores, profissionais da saúde, coaches e também da família, tudo para manter vivo o sonho de ir Rumo ao CrossFit Games 2018.

“Hoje quem monta meu treino é o Bernardo Camargo, da BSB CrossFit. Eu tenho uma equipe da área da saúde que me acompanha há muitos anos. Faço tratamento ortomolecular desde quando descobri o hipotireoidismo. Nada hormonal, são diversos exames e testes pra saber como estão meus níveis de vitaminas e outras coisas. Tenho uma farmácia que me patrocina, fisioterapeuta, nutricionista. Com o tempo a gente percebe o quanto é importante se cuidar. Estou ficando velha (risos), então tenho que tomar muito cuidado com esses detalhes pra me manter bem fisicamente.”

Para finalizar, Anita Pravatti conta que não se preocupa com a idade. Se chegar ao CrossFit Games 2018, terá 32 anos. “Não acho que estou velha. A Samantha Briggs e a Valerie Voboril, por exemplo, elas têm idade pra serem masters mas estavam na categoria principal do CrossFit Games 2017. São os dois lados da moeda: quando você é novo sua parte física é quase impecável, mas ser mais velho te dá uma bagagem, uma experiência maior”.