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Atleta supera deficiência visual no crossfit adaptado

Atualizado em 16 de maio de 2017
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Como você cuidaria de sua saúde física se, depois de 49 anos de vida ativa praticando atividades como spinning e musculação, recebesse um diagnóstico de uma doença que pode tirar 100% da sua visão? Entre o desespero e a superação, Eleusa encontrou a segunda opção no crossfit adaptado.

Portadora de retinose pigmentar, doença hereditária que causa a degeneração da retina e das células receptoras de luz e perda da visão periférica, Eleusa confirma a ideia do “crossfit para todos”.

A cegueira afetou a visão da atleta de forma severa há cerca de quatro anos. Na metade desse tempo, conheceu a Gólgota Be Strong, box em Boiçucanga onde pratica o crossfit adaptado. “Treino todos os dias de segunda a sexta”, conta.

 

 

Eleusa diz que o começo não foi fácil. “Eu achei que não iria conseguir, mas como tenho um gosto aflorado por desafios, juntamente com a paciência, o incentivo e as adaptações dos meus coaches, acabei aceitando o convite.”

Treinando há dois anos, deixou de ser aluna para se tornar atleta de crossfit adaptado quando participou da etapa 2 do WKND Wars em São Paulo, competindo entre diversos trios nas categorias iniciante feminino.

“Foi meu primeiro campeonato. Fiquei muito nervosa e por um instante insegura, mas o carinho e o respeito de todos que estavam lá, desde os competidores até a torcida, foram me deixando mais calma e focada. Sem palavras para agradecer a todos. Torço para que as pessoas com algum tipo de dificuldade possam encontrar a solução no crossfit adaptado ou em qualquer outro esporte”, comentou.

Vinicius Ivo, coach da atleta, afirma que esse foi seu primeiro desafio com um aluno deficiente. “Nunca tivemos um atleta que precisasse desse tipo de adaptação, ela é a primeira. Ela consegue diferenciar o claro do escuro, então passamos fita branca em volta de uma caixa para ela fazer os saltos. Ela sempre fica perto dos materiais e equipamentos para que não tenha que se locomover muito. Em todas as aulas lembramos aos outros alunos que é preciso ter cuidado com ela e dar prioridade”.

Eleusa, que tem apenas 5% da visão em um dos olhos, descreve o que já ouviu por praticar o crossfit adaptado. “Questionam, acham loucura, dizem que machuca ou que é arriscado. Porém, hoje vendo os benefícios no meu corpo, na minha mente e no meu emocional, muitos não só mudaram de ideia como começaram a praticar também”.

Além do crossfit adaptado, Eleusa trabalha o cardio treinando spinning duas vezes por semana e recorre à yoga para aperfeiçoar flexibilidade e equilíbrio.

“O que realmente me dá forças para encarar os desafios é o apoio da minha família e dos meus coaches, além de saber que os desafios do crossfit adaptado me ajudam diariamente a superar os desafios da vida em relação à minha deficiência”, finalizou a atleta.