Quando optar por um tênis minimalista?

Atualizado em 14 de agosto de 2017
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Uma tendência do mercado esportivo vem fazendo a cabeça de alguns corredores. Calçados que simulam a sensação de estar correndo com os pés descalços, e que, ao mesmo tempo, protegem os atletas de eventuais riscos por correr sem um pisante. São os chamados tênis minimalistas. Eles têm o solado baixo, proporcionam mais contato com o piso e absorvem menos impacto durante a corrida.

Segundo a fisioterapeuta Fernanda Oaigen, da assessoria esportiva Just Run (Florianópolis), a diferença básica entre correr com um tênis comum de corrida e um minimalista está na forma como o corredor exercerá o movimento durante a corrida. “Os minimalistas tendem a imitar a pisada natural, com os pés descalços. Com eles, há uma tendência do corredor utilizar mais o antepé [ponta dos pés] durante a corrida”, diz.

“Assim, há uma menor ação na parte traseira do pé, sendo desnecessário um bom amortecimento nesta região, devido ao pouco contato do calcanhar com o solo durante a execução do movimento”, completa.

A fisioterapeuta explica que quando tocamos o chão com a parte frontal dos pés, naturalmente flexionamos os joelhos e amortecemos o impacto da corrida. Ao contrário do que acontece quando a pisada é com o calcanhar, já que as articulações da perna ficam mais estendidas e acabam sofrendo menos.

Apesar da mecânica da corrida minimalista exigir menos dos joelhos, ela pode acabar forçando a musculatura. “Uma mudança significativa é na maior solicitação dos músculos da perna, principalmente o Gastrocnêmio e o Sóleo, a famosa panturrilha. Com a corrida na ponta dos pés, essa região acaba sendo utilizada como amortecedor e propulsor do movimento”, explica o treinador Leonardo Marmitt, também da Just Run.

Por isso, ambos os especialistas não recomendam que corredores acima do peso ou que pretender percorrer grandes distâncias utilizem esse tipo de calçado. “Eu relaciono os tênis minimalistas a treinos de velocidade e de curta distância. Indicaria a corredores de baixo peso e sem problemas articulares prévios”, diz a fisioterapeuta.

O treinador Marmitt ressalta que os corredores que quiserem apostar em tênis minimalistas devem ter uma boa força muscular nos membros inferiores. Além de partir para treinos mais velozes. “Treinamentos mais rápidos e curtos são um bom caminho para uma possível transição do calçado com mais sola para os minimalistas. Dessa forma, o corredor poderá adaptar-se aos poucos a essa nova mecânica de corrida”, afirma.

De acordo com o diretor técnico da Butenas Assessoria Esportiva – de São Paulo (SP) –, Marcello Butenas, é importante fazer a transição de forma gradativa. “Quando o treino estiver acabando, coloque o tênis minimalista e corra por cerca de 10 minutos”, explica. “Se o corpo responder bem, aumente para 15, 20 minutos no próximo treino, sempre aos poucos, para que não ocorra nenhuma lesão.” Segundo Butenas, os calçados baixos não são indicados para corridas mais longas do que 45 minutos.

“Fundamental mesmo é o acompanhamento de um profissional capacitado para realizar essas observações, indicar o calçado ideal para seu tipo de pisada e mecânica de corrida. Isso facilitará o processo de evolução no esporte”, encerra Marmitt.