Pilates: aliado das corredoras

Atualizado em 26 de junho de 2017
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A maioria das corredoras está acostumada a incluir na planilha de treinos algumas sessões de  musculação durante a semana. Apesar de ser fundamental para a melhora do desempenho no asfalto, nem todas as mulheres gostam de ficar puxando ferro em uma academia. Uma boa alternativa é a prática de pilates, que também fortalece a musculatura, mas trabalhando força e alongamento de forma simultânea.

De olho nos benefícios desse método, cada vez mais atletas estão aderindo à prática desses exercícios. A técnica ensina os mecanismos corretos da respiração, corrige a postura, aumenta a flexibilidade do corpo e ainda ajuda a prevenir lesões. Ao contrário da musculação, que tem como objetivo a hipertrofia, o pilates visa conquistar um equilíbrio muscular e seus exercícios utilizam apenas o peso do próprio corpo ou a resistência de elásticos e molas. Dessa forma, os atletas que praticam pilates acabam tendo algumas vantagens na corrida, pois desenvolvem um movimento mais preciso e melhor controle do corpo.

 

 

As aulas de pilates são mais calmas e o público costuma ser reduzido. Apesar de ser indicado para ambos os sexos, é comum ver uma predominância do público feminino nas aulas. As pessoas que não conhecem o método, principalmente os homens, acreditam que é uma aula fácil e relaxante e logo mudam de opinião após fazerem a primeira aula.

DOMINANDO A RESPIRAÇÃO

Um dos pontos fundamentais para aqueles que querem melhorar sua performance no asfalto é trabalhar o sistema respiratório. A prática do pilates ajuda a atleta a aumentar a potência respiratória, pois o método utiliza a respiração torácica, que trabalha os músculos do tórax e das costas para ampliar a caixa torácica lateralmente. Com isso, a capacidade dos pulmões de captar o ar é potencializada, conduzindo a uma maior oxigenação das células.

Muitos corredores respiram de forma errada, o que dificulta o controle durante a corrida, e aqueles que utilizam mais a parte superior do tórax possuem a chamada respiração apical, uma forma menos potente de respirar que dificulta a expansão dos pulmões.

POSTURA CERTA

Devido a maus hábitos e falta de exercícios específicos, muitas pessoas possuem a musculatura de sustentação da coluna enfraquecida, o que pode levar a um problema de postura. Contudo, por meio da prática de pilates, o aluno adquire consciência corporal, fazendo com que seu corpo busque um alinhamento natural da coluna.

Ao trabalhar o fortalecimento do core — região central do corpo formada pela musculatura do abdome, do períneo e da lombar —, o método contribui para corrigir ou melhorar a postura. Dessa forma, o corredor passa a ter mais controle sobre a mecânica do movimento e, consequentemente, mais eficiência e menos gasto de energia durante a corrida. Contudo, para alcançar um resultado satisfatório e começar a ver alguma diferença nos treinos, recomenda-se que o atleta faça três aulas de pilates por semana.

CORRENDO SEM LESÕES

Os músculos das pernas, costas, quadril e abdome são muito exigidos durante a corrida por conta dos movimentos repetitivos e do impacto da pisada. Porém, com a prática regular do pilates, o atleta adquire flexibilidade, força e aumento da capacidade pulmonar, o que diminui muito as chances de lesão.

Além disso, o método trabalha sempre técnicas de relaxamento muscular por meio do alongamento. Esses exercícios são muito indicados para os períodos de treinos intensos e após provas longas, pois diminuem os efeitos da agressão sofridos pelo músculo.

Mas o pilates é indicado não somente para prevenir o atleta de se machucar, como também no tratamento. É possível utilizar o método no processo de recuperação de lesões nos músculos, em tendões (tendinopatias), na coluna vertebral, entre outros problemas que costumam acometer os corredores.

(Fontes: Rafael Sepeda,­ fisioterapeuta esportivo – RJ; Natália Ferraro Bertolo, professora de pilates e alongamento na Core Academias, SP)

Matéria publicada na sessão Tendência na edição junho de 2014 da Revista O2.