Fratura por estresse, o terror das corredoras

Atualizado em 21 de dezembro de 2017
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Com a crescente participação feminina na corrida, os benefícios da atividade física para a saúde da mulher, como o controle e a manutenção do peso corporal, a melhora do sistema cardiovascular e a prevenção de doenças — sem falar na redução do estresse e a melhora da autoestima — ganharam destaque. No entanto, os treinos sem orientação especializada, excessivos ou com intervalos insuficientes de recuperação, dentre outros fatores, fazem aumentar o número de lesões e problemas de saúde entre as corredoras. E a fratura por estresse é uma das lesões mais comuns.

Responsável por 10% das fraturas esportivas, e podendo chegar a até 25% entre corredores (segundo dados da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e Esporte), a fratura por estresse é uma microscópica fissura no osso causada pela sobrecarga e esgotamento muscular. Ao atingirem a fadiga, os músculos reduzem a absorção do impacto e transferem toda a carga para o osso, o que pode resultar, com o tempo, em uma microfissura.

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Apesar de homens e mulheres possuírem a mesma probabilidade de ter a lesão, estudos indicam que a incidência da fratura por estresse pode ser maior na mulher, já que fatores hormonais e nutricionais, condições intrínsecas ao corpo feminino, quando desregulados, favorecem o aparecimento da fissura. Dentre as responsáveis pelo aparecimento do problema está a Tríade da Mulher Atleta (TMA), que se caracteriza pela desordem alimentar, interrupção do ciclo menstrual e perda de massa óssea. Entre as possíveis causas da TMA estão o excesso de treinamento, baixa taxa de gordura corporal, – especialmente a localizada nos quadris, pernas e nádegas – e dieta inadequada. Esses fatores levam a mulher a alterações hormonais que desregulam o ciclo, o que faz com que a absorção de cálcio pelo organismo seja prejudicada e, consequentemente, ocorra a perda óssea.

Além de aumentar as chances de uma fratura por estresse, a corredora pode, caso a síndrome não seja tratada, desenvolver osteoporose precoce, pois nem toda a densidade óssea perdida será restaurada. Por isso, fique esperta.

Ossos mais afetados pela lesão
A tíbia (o osso da canela) é o que mais sofre com a fratura por estresse, entre os corredores. Os ossos dos pés e o fêmur são outros com alto índice de desenvolvimento do problema. Entre as mulheres, o colo do fêmur também pode ser afetado, principalmente nas atletas com o índice de massa corporal (IMC) baixo.

Para prevenir o problema, o uso de um tênis com bom sistema de amortecimento e feito para o seu tipo de pisada, aliado ao trabalho de fortalecimento, são medidas fundamentais. Incluir exercícios pliométricos e treinos funcionais na planilha também são boas pedidas. O aumento gradativo da distância, intensidade e velocidade na corrida também ajuda a garantir a saúde óssea – quanto mais fadigado o músculo, menos amortecimento ele proporcionará.

(Fontes: Ana Paula Simões, ortopedista e traumatologista do esporte, e Mauro Fuziki, especialista em medicina do esporte e diretor da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte)