Correr na areia: conheça os benefícios

Atualizado em 04 de outubro de 2016
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O tempo vai esquentando e, à medida em que a primavera se estende, as praias do extenso litoral brasileiro ganham mais frequentadores. Nesse contexto, condensamos algumas informações sobre os benefícios de correr na areia.

A irregularidade da areia estimula a propriocepção ou sinestesia (capacidade de reconhecer a localização espacial do corpo, sua posição e orientação, a força exercida pelos músculos e a posição de cada parte do corpo em relação às demais sem utilização da visão). Um exemplo de trabalho de propriocepção é o de saltos ou balance disk.

“Quem está com o trabalho de propriocepção em dia, ao sentir que pisou numa base diferente e perceber que o pé vai virar, automaticamente já contrai o músculo evitando uma torção”, afirma Cláudio Wallace de Souza, graduado em Educação Física pela Fefisa, de Santo André, desde 2004, e especialista em corrida. Ele orienta treinos na academia FIT 360.

 

 

O acionamento dos mecanismos sensoriais de propriocepção, que ocorre ao se correr na areia, pode inibir o surgimento de um dos principais vilões dos fãs de corrida: a temida fascite plantar. “As irregularidades da areia fortalecem a musculatura dos pés, proporcionando maior estabilidade e impedindo a inflamação da face do pé, localizada na planta”, diz o educador.

Resumindo: os treinos em areia são recomendáveis, mas não para iniciantes. Os principiantes devem desenvolver sua primeira temporada de forma mais conservadora, no asfalto. Caso queiram, depois de alguns bons meses de treino, realizar parte das atividades na areia, devem estar em dia com o trabalho de musculação, realizado em academia, com disciplina.

Correr na areia, como produz um impacto reduzido, poupa as articulações e ossos. Por outro lado, esse terreno exige esforço muscular superior em comparação com piso duro, asfalto ou cimento.

“A areia requer um esforço muito maior da nossa cadeia superior, panturrilha, posterior de coxa e glúteo para que se possa tracionar, pois é um piso que não oferece aderência. Sem aderência, você precisa fazer mais força para posicionar o corpo para a frente. Esse aumento de força causa um desgaste muito maior em comparação com aquele acarretado pelo asfalto ou cimento, por exemplo”, acrescenta Souza.

Correr na areia, portanto, exige um treino específico, sem volume expressivo de quilometragem. “Recomendo, por exemplo, um treino de tração, algo focado em trabalhar mais a porte posterior”, diz o profissional da FIT 360.

E o que seriam os treinos de tração? Trata-se de atividades desenvolvidas para incrementar a potência (força + velocidade). O exemplo mais típico é aquele em que se cria uma dificuldade de progressão para aquele que se exercita. São atividades feitas em dupla – o corredor que realiza o exercício é “preso” por uma câmara de pneu de bicicleta em torno da cintura. Na outra ponta desse composto elástico, o parceiro o segura. A oposição dessa resistência obriga o corredor a fazer força com as pernas. Com esse esforço, acaba por trabalhar a potência.

Alternativas
Quem for iniciante e estiver pensando em planificar seu treino de base pode adotar a areia batida, nunca a fofa. “Nesse caso, a pessoa deverá ter menos estabilidade de tornozelo e menos força, além de menos condicionamento. Na areia uma pessoa em fase inicial de treinamento se cansa muito mais do que num piso duro. No entanto, uma pessoa condicionada, com trabalho de musculação e corrida em dia pode fazer os treinos específicos”, explica o profissional.

Uma vez que se tenham desenvolvido os músculos adequadamente, criando-se uma base, já com um período de treinos de corrida em asfalto, pode-se (e deve-se) realizar treinos na areia.

“O treinamento específico na areia é sensacional e essencial para um corredor obter performance melhor no asfalto. Os treinos de tração proporcionam um arranque com tração maior. Esses trabalhos vão se refletir em desempenho superior no asfalto e no cimento. Não recomendaria saltos em areia fofa. A irregularidade do terreno, aliada a fatores como o peso, velocidade e altura do salto, pode acarretar uma entorse de joelho ou tornozelo caso o indivíduo aterrisse de forma incorreta. Já o trabalho de tração, esse pode ser feito na areia mais fofa e é espetacular”, empolga-se o treinador.

Logicamente, os resultados, quando se pensa em propriocepção, serão melhores em areia fofa, treinando-se com os pés descalços. Porém, infelizmente, muitas praias apresentam cacos de vidro, tampinhas de garrafa e outros riscos de cortes dos pés, em terreno frequentemente infestado por bactérias. Se for esse o caso, e também para trabalhar em areia batida, é prudente calçar os tênis.