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Prata na Maratona Olímpica tem medo de voltar ao seu país

Atualizado em 30 de maio de 2017

Segundo colocado na maratona olímpica neste domingo (21), o etíope Feyisa Lilesa declarou à imprensa que está com medo de voltar ao seu país após o fim dos Jogos Olímpios Rio 2016. O motivo seria um gesto de protesto ao governo da Etiópia que ele fez ao cruzar a linha de chegada da prova. Segundo o medalhista, ele pode ser impedido de entrar em seu país, preso ou até mesmo morto por conta da atitude.

O gesto de cruzar as mãos acima da cabeça faz referência à etnia Oromo, cujos protestos foram reprimidos com violência pelo governo. “O governo da Etiópia está matando esse povo e pegando suas terras e recursos, então eles estão protestando e eu dou o meu apoio já que sou um deles”, disse o atleta na coletiva de imprensa.

Grupos de direitos humanos afirmam que as forças de segurança do país mataram recentemente centenas de pessoas durante protestos. “Meus parentes estão presos e se eles falarem sobre direitos humanos, eles são mortos”, complementou o maratonista, que está pensando em morar em outro país.

Lilesa talvez tenha que enfrentar um outro problema. De acordo com a regra de número 50 do Comitê Olímpico Internacional (COI), é proibida “qualquer manifestação de propaganda política, religiosa ou racial dentro das áreas olímpicas”. Perguntado se ele tem receio de uma possível sanção do Comitê Olímpico, Lilesa disse que não pode fazer nada quanto a isso.