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Tem dor crônica? Aprenda mais sobre ela e caminhe

Atualizado em 22 de dezembro de 2017
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O quanto você sabe sobre dor crônica? Sabe diferenciar a dor aguda da crônica? A dor é o grande adversário do corredor. Trata-se do agente que tem o poder de afastar, temporária ou permanentemente, o atleta da prática da atividade física.

Alongamento, fortalecimento da musculatura, descanso e boa alimentação colaboram num esforço aplicado em várias frentes para prevenção da dor aguda. Além de se esforçar para fazer o melhor nessas esferas, o corredor fará um bem a si mesmo caso se empenhe na construção de um acervo de conhecimento sobre os significados da dor. Saber, desde já, a diferença entre a dor crônica e a aguda pode lhe ajudar a poupar tempo no tratamento.

Todas as terças e quintas-feiras, a partir das 8h20, o grupo “Pare a dor”, coordenado por fisioterapeutas e professores de educação física, reúne pessoas que sentem dores crônicas e procuram reduzir seus efeitos saindo da inércia, caminhando. O ponto de encontro é o espaço entre a Serraria e o estacionamento situado à entrada do portão 7 do parque do Ibirapuera, em São Paulo.

Além de fisioterapeuta, Mariana Schamas, uma das coordenadoras do grupo, é cinesiologista formada pela California State Univesity e pós-graduada em Dor pelo Hospital Sírio Libanês. O conhecimento teórico que aplica e o prático, que acumula tratando e orientando os que sentem dores, formam um manancial que não deve ser desprezado nem mesmo pelos que não padecem de dores crônicas.

 

 

“É importante que se entenda qual é o papel da dor na vida. Ela é um sinal de que algo não vai bem no corpo. É interessante entender como funciona seu corpo, conhecer seus limites”, diz Mariana.

O primeiro passo para os portadores de dor crônica é vencer a cinesiofobia, caso padeçam dela. Trata-se do medo de sentir dor com qualquer movimento. A cinesiofobia, o medo do movimento, simplesmente prende as pessoas em casa, mantendo-as na inércia. E o sedentarismo haverá de alimentar o sistema que resulta na renitência da dor.

Fortalecer a musculatura andando por cerca de 35 minutos e um alongamento depois. É o que se faz nos arredores do portão 7 do Ibirapuera e em outros parques, em iniciativas semelhantes de grupos voluntários no combate à dor espalhados pelo país afora. Movimentar-se é benéfico não só para os músculos, mas também para a cabeça.

“Enquanto estou aqui caminhando, não estou pensando na dor. A gente vem, conversa, se distrai. É até chato dizer isso, mas é bom saber que não sou a única que sente dores e até constatar que há quem sinta dores muito piores do que as minhas”, disse uma das participantes do grupo, enquanto esperava pelo início da atividade.

A dor está associada às tensões diárias, angústias, insuficiência de sono, descanso corporal insuficiente, causas físicas. “Muitos me perguntam se a dor tem um fundo mental. Tem, mas não só”, diz Mariana, antes de correr para alcançar o grupo, que sai em caminhada, orientado pelas auxiliares dela. “É importante um tratamento psicológico para criar ferramentas da dor crônica. Mas o mais importante mesmo é a atividade física”.

Entre tantas coisas importantes a se entender sobre dor, Mariana destaca a necessidade de que se saiba que a dor aguda não se transforma numa dor crônica.

Antes de mais nada, o que é dor? A IASP (Associação Internacional para o Estudo da Dor) a define como uma experiência sensorial e emocional desagradável associada a um dano tecidual real ou potencial ou descrita em termos de tal dano.

Mariana chama atenção para a dimensão imaginária da dor, e cita a “dor fantasma” que amputados “sentem” em membros que já não fazem mais parte de seus corpos.

As causas e o tratamento diferem quando se fala de dor aguda e crônica. A aguda decorre de doença, inflamação ou lesão de tecidos. A ansiedade e angústia emocional podem acompanhar essa sensação. É importante a distinção entre os dois tipos básicos de dor, que são a dor aguda e a dor crônica, pois a sua fisiopatologia, causa e tratamento são diferentes. A causa da dor aguda, em geral, pode ser diagnosticada e tratada.

A dor crônica pode ser encarada como doença. Os fatores ambientais e psicológicos podem piorá-la. Persiste por mais tempo, em comparação com a aguda, e resiste a tratamentos.

O que se deve fazer para lidar melhor com uma dor crônica? O senso comum nos compele ao descanso, mas ser ativo é preferível. Fortalecer-se é interessante. Mas é necessário saber qual exercício e quais níveis de exigência física dele são compatíveis com a redução da dor. O erro na “dosagem” pode redundar no agravamento da sensação dolorosa.

Orientação médica e de fisioterapeutas são essenciais no momento em que se faz necessária a troca de uma atividade física por outra. Assim, por exemplo, um indivíduo que corria e é acometido por osteoartrite pode substituir a atividade anterior por ciclismo ou natação.

Alimentos a evitar por quem padece de dores crônicas, alimentos que contribuem para reduzir a sensação dolorosa; textos informativos e calendário de atividades de grupos como o “Pare a Dor” podem ser acessados em www.sbed.org.br