Pensar na técnica de corrida pode ser prejudicial

Atualizado em 26 de abril de 2016
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No que você pensa enquanto corre? Por um longo tempo, uma forma de diferenciar os atletas de elite daqueles que correm apenas por lazer foi analisar o que ocupava a cabeça de cada um deles enquanto treinavam ou competiam. Em teoria, aqueles que correm rápido usam o que é conhecido como pensamento associativo, que é baseado em um tipo de autoescaneamento. Eles verificam se a respiração está correta, se os braços estão na posição que deveriam, se o ritmo das passadas está dentro do previsto e como anda a técnica de corrida, assim como outros aspectos sobre o funcionamento do corpo. Já os corredores amadores costumam usar o pensamento dissociativo, que consiste em levar a mente para outras situações. É uma forma de se distrair e diminuir as dores provenientes da corrida.

Mas uma pesquisa publicada no  Journal of Sport and Exercise Psychology  questiona os benefícios da forma como os atletas pensam durante a corrida. Os pesquisadores analisaram 32 corredores experientes que correm pelo menos 32 quilômetros por semana. Enquanto eles corriam, os estudiosos verificaram o consumo de oxigênio de cada um deles, segundo quatro tipos de pensamentos distintos: em primeiro lugar, os atletas tiveram que pensar em sua própria respiração; em seguida, em sua técnica de corrida; depois, se concentrar em seus sentimentos; e, no final, pensar no que geralmente acontece durante as passadas.

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Os resultados mostraram que nos dois primeiros tipos de pensamentos (sobre a respiração e técnica de corrida), o consumo de oxigênio foi maior do que nos outros dois casos. Isso significa que, ao tentar fazer com que algumas funções do corpo ocorram de forma consciente, em vez de aperfeiçoadas, elas se tornam menos eficientes – e te consomem mais oxigênio. Por outro lado, deixar que elas sejam executadas em segundo plano, inconscientemente, parece melhorar a performance.

Os pesquisadores, entretanto, não analisaram corridas longas e afirmam que é possível que nestes casos a autoanálise possa, sim, ser eficaz dada a possibilidade de pensamentos negativos aparecerem com o esforço maior – o que exigiria .

(Fonte:  Atletas.info, site parceiro na Argentina)