Como o exercício protege da depressão?

Atualizado em 20 de dezembro de 2017
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Que a atividade física faz bem para o tratamento da depressão os especialistas já constataram. Mas até hoje não se sabia como os exercícios agiam no tratamento dessa doença. Foi exatamente isso que pesquisadores do Instituto Karolinska, na Suécia, estudaram recentemente. Segundo o resultado do estudo, publicado na revista Cell, as atividades físicas induzem mudanças nos músculos esqueléticos, fazendo com que seja produzida uma proteína capaz de livrar o sangue de uma substância que se acumula em situações de estresse e é prejudicial para o cérebro.

Para fazer a pesquisa, os cientistas usaram camundongos geneticamente modificados com altos níveis da proteína PGC-1alfa1 (responsável pelo aumento da massa muscular) nos músculos esqueléticos. O grau de modificação era equivalente aos níveis encontrados em pessoas com boas condições físicas, como aqueles que correm. Os bichinhos, e um grupo de animais normais, foram submetidos a ambientes estressantes, com barulhos altos, luzes fortes e reversões do ciclo da noite e do dia com intervalos irregulares. Passadas cinco semanas nessas condições, os camundongos sem alteração genética desenvolveram comportamentos depressivos, enquanto que os alterados não apresentaram os sintomas da doença.

De acordo com a pesquisa, os camundongos geneticamente modificados também apresentavam uma quantidade maior da enzima KAT no organismo. Ela é responsável por converter a quinurenina (KYNA), substância gerada pelo estresse e que ataca o cérebro, em ácido quinurênico, um composto incapaz de passar do sangue para o órgão.

A função exata da quinurenina ainda não é conhecida, mas níveis elevados da substância podem ser encontrados em pacientes com doença mental. Assim, a administração de quinurenina nos animais inseridos no grupo de controle induzia um comportamento depressivo. Comportamento diferente do encontrado nos camundongos geneticamente modificados, já que essa substância não os afetou. Eles, na verdade, nunca apresentaram níveis elevados de quinurenina no sangue, já que as enzimas KAT rapidamente a convertiam no ácido quinurênico, como um mecanismo de defesa.

No começo dos estudos as suspeitas eram de que os músculos treinados produziriam uma substância que tivesse efeitos benéficos para o cérebro. Com o resultado, foi descoberto o oposto: eles produzem uma enzima que livra o organismo de substâncias danosas. Aliás, essa função dos músculos lembra a dos rins e do fígado.