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Hoje é dia de largar o cigarro correndo!

Atualizado em 22 de dezembro de 2017
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Esta segunda-feira (29 de agosto) pode ser um marco na vida de quem fuma. Trata-se do Dia Nacional de Combate ao Fumo. Neste contexto, você provavelmente já foi atingido por uma campanha que tenha por mote um slogan do tipo “largue o cigarro correndo”. Não se trata de um enunciado vazio. O que está embutido nessa estratégia de convencimento é a troca de vícios, como Lavínio Camarim, vice-presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo e coordenador da câmara-técnica de Medicina Esportiva, explica. Em entrevista na sede da entidade, Camarim profere a palavra mágica para o entendimento da questão: dopamina, um dos hormônios naturalmente produzidos pelo corpo graças à atividade física. Esse neurotransmissor produz dois efeitos no organismo do corredor: prazer e sensação de saciedade.

Esses dois efeitos haverão de reduzir, necessariamente, a compulsão por fumar que governa e obceca os fumantes, mesmo aqueles que desejam se despedir do vício. “O fumante que corre vai precisar de menos cigarros, porque sua necessidade de prazer estará sendo suprida por outros agentes”, ensina o médico.

Os que optam por esse caminho de correr na tentativa de largar o vício devem estar cientes de que é perigosíssimo acender os cigarros após a prática da atividade física. Camarim adverte que fumar nesse momento é ainda mais prejudicial do que fumar e não praticar atividade alguma. “Após a atividade física, seu organismo estará pedindo oxigênio. Quem fuma nesse momento vai elevar perigosamente a concentração de monóxido de carbono em seu sistema. São mais substâncias tóxicas agindo”.

 

 

Focando no aspecto pulmonar da questão, Camarim salienta que, além de a destruição dos álveolos pulmonares ser irreversível, o ato de fumar continuamente, com o tempo, desencadeia um quadro chamado LCFA, “limitação crônica do fluxo aéreo”. Trata-se de uma nova nomenclatura médica, em voga nas últimas duas décadas. O nome mais antigo desse mal é DPOC, “doença pulmonar obstrutiva crônica”. Essas siglas remetem a asma, bronquite e enfizema pulmonar.

Se o dano pulmonar é irreversível, parar de fumar proporcionará melhoria no quadro de saúde? “Sim, pois você interrompe o estrago e a terá menos fadiga física, menos cansaço e mais disposição”, frisa Camarim.

Por outro lado, quem fuma corre mais riscos porque os níveis de pressão arterial tendem a se elevar devido ao vício, e os vasos (artérias, arteríolas) tendem a se enrijecer – cresce o risco de acúmulo de placas de gordura e cálcio, aquelas que desenvolverão um quadro de arteriosclerose.

Fumar dificulta a própria quebra da dopamina. Por esse motivo é tão comum ver um fumante aumentar a quantidade de cigarros consumidos diariamente ao longo de um determinado período de tempo. A enzima que realiza a quebra da dopamina, e que é decisiva para que o prazer e sensação de saciedade se produzam, é a monoaminoxidase B. Dentre os efeitos deletérios do cigarro consta a inibição da produção dessa enzima, bem como o bloqueio de seu poder de ação. Ou seja: quem fuma hoje fumará mais, com o decorrer do tempo, a fim de manter os níveis de prazer sentidos.

Camarim deixa claro que, mesmo que você seja um fumante inveterado e reúna, depois de ler esta matéria, disposição insuficiente para amarrar os cadarços de seu par de tênis e procurar um parque para uma breve caminhada, sua vontade de se exercitar tenderá a aumentar com o passar do tempo (caso comece), bem como sua necessidade de fumar decrescerá. Que tal tentar comprovar, por experiência própria? Dê o primeiro passo.