Repórter do Sportv, Marina Izidro dribla a rotina e segue correndo

Atualizado em 30 de novembro de 2017
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Com o microfone do SporTV em mãos, a repórter Marina Izidro presenciou momentos marcantes do esporte mundial. Acompanhou de perto a preparação e a realização da Olimpíada em sua terra natal, o Rio de Janeiro, onde ganhou notoriedade ao arrancar um depoimento emocionado da judoca Rafaela Silva, a primeira brasileira a levar uma medalha de ouro na última edição dos Jogos. Também tem em seu currículo coberturas de outros grandes eventos em diversas partes do mundo e entrevistas com lendas do calibre de Usain Bolt e Rafael Nadal.

Mas um de seus maiores desafios no esporte e na vida não aconteceu diante das câmeras, nem como jornalista. Em abril de 2012, Marina se juntou a milhares de competidores e correu sua primeira e (até agora) única prova de 42 km: a Maratona de Paris. “Para quem gosta de correr e tem muita paciência para treinar, faça uma maratona. Sua vida não vai ser mais a mesma”, garante. “Quando você chega, a sensação é única. Você acha que consegue fazer qualquer coisa.”

Acostumada a praticar esportes desde a infância, Marina começou a ter paciência para treinar aos 20 e poucos anos, quando notou que a corrida era uma modalidade que combinava com seu estilo de vida e se adaptava à ausência de rotina que caracteriza o dia a dia de tantos jornalistas. Não demorou para que a Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio, virasse seu “quintal de casa”. Foi lá que a jornalista começou a aproveitar as brechas entre uma reportagem e outra para melhorar sua performance na corrida. “O percurso da Lagoa é lindo e ótimo tanto para treinos rápidos de tiro quanto para os longos.”

 

 

SEMPRE PREPARADA

A repórter incorporou alguns hábitos típicos dos corredores à sua “não rotina” de jornalista. Contrariando a ideia de que o jornalismo tem cheiro de boemia, Marina Izidro, em seus sábados livres, pula da cama antes das 7h para não torrar debaixo do escaldante sol carioca nos treinos longos na Lagoa. Nas viagens em que é escalada pelo SporTV, o par de tênis e o frequencímetro são peças indispensáveis em sua mala.

Se há tempo livre, ela calça os tênis e parte em busca de um lugar para correr. Conciliar a profissão com o gosto pela corrida nem sempre é das tarefas mais fáceis. Sabe aquela velha história de “quem quer arruma um jeito; quem não quer, uma desculpa”? É por essa linha de raciocínio que ela vai em busca de menos desculpas e mais passadas. Mesmo quando faltam horas livres, parques próximos e esteiras nos locais em que se hospeda, Marina dá um jeito de treinar, chegando a correr até em ruas estreitas atrás de hotéis.

Foi fora do Rio que a repórter viveu seu período mais intenso de treinamentos no mundo da corrida. Em 2011, já de olho nas duas Olimpíadas que teria pela frente, ela fez as malas para Londres. A proposta era fazer um mestrado em jornalismo esportivo e cobrir os Jogos de 2012 in loco. Além do aprendizado profissional, ela descobriu que “poucos lugares no mundo são tão incríveis para correr como Londres”. O Richmond Park, “um parque lindo, cheio de gente praticando esportes”, ganhou uma frequentadora assídua.

Já pensando na Maratona de Paris no ano seguinte, ela estabeleceu uma rotina de seis treinos semanais e recebia orientações do outro lado do Oceano Atlântico. As planilhas eram enviadas por seu treinador no Rio, mas Marina treinava sem companhia no rigoroso inverno inglês. “Éramos eu, o monitor cardíaco e Deus”, brinca.

Os meses de dedicação em solo inglês culminaram na Maratona de Paris, já que a jornalista não se deu bem no sorteio para a Maratona de Londres. Na capital francesa, a partir do km 30, recebeu o incentivo que precisava quando suas pernas começavam a fraquejar. Os parisienses viram seu nome no número de peito e gritavam “Allez, Marina!” (em português, “Vamos, Marina!”) para empurrá-la à linha de chegada — experiência inesquecível para quem leva a vida relatando histórias de superação no esporte.

DE VOLTA!

Após finalizar a Maratona de Paris em 4h30, a jornalista do SporTV, desgastada pela exigência física altíssima que envolve a prova e pela rotina disciplinada de treinos, passou por algo recorrente entre os maratonistas de primeira viagem: a desmotivação.

“Depois de Paris, fiquei um tempo sem correr. Me deu um bode. Voltei a correr recreativamente, sem planilha. Eu precisava descansar um pouco da corrida. Queria ficar um pouquinho afastada.”

Longe das planilhas, ela recuperou o gosto pela corrida e o hábito de treinar no seu “quintal”, a Lagoa Rodrigo de Freitas. Lugar para o qual ela diz “até breve” neste mês de julho. Marina Izidro será a nova correspondente do SporTV durante dois anos em um local que conhece bem: Londres.

A despedida da Lagoa Rodrigo de Freitas significa o reencontro com o Richmond Park, seu novo velho “quintal”. Como faz desde os seus 20 e poucos anos, Marina continuará vivendo entre reportagens e passadas. Contando grandes momentos do esporte e pavimentando seu próprio caminho na corrida.