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Correr não é apenas ciência, mas percepção de si mesmo

Atualizado em 30 de agosto de 2018
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Me graduei fisioterapeuta e fiz pós-graduações diversas na área de ortopedia esportiva. Estudei anatomia, biomecânica, cinesiologia, fisiologia, aprendi a usar programas avançados de análises de movimento e diversos outros aparatos que me fizeram entender muita coisa sobre os corredores. Eu me achava um grande entendido sobre o ato de correr, até conversar com um atleta experiente e descobrir que eu não sabia nem um décimo sobre corrida. E não eram assuntos sobre a história do esporte, mas sim fatos que envolviam a parte corporal.

A distância entre a teoria e a prática é muito controversa, pois nós da área da saúde somos constantemente bombardeados por trabalhos científicos que prometem provar isso e aquilo e nos fazem rever os conceitos o tempo todo, duvidando das revistas e de nós mesmos, mas sendo cobrados pela população para que tenhamos uma solução, um consenso, uma verdade absoluta.

Respiro. Continuando a história, resolvi me dedicar a correr com mais seriedade após me formar. Resolvi deixar as provas de 10 km e partir para percursos mais longos. Depois passei a treinar para baixar meu tempo. Hoje eu me sinto mais confiante para falar sobre corrida. E não é sobre anatomia, biomecânica, fisiologia (pois elas não mudaram), é sobre a simples corrida.

 

 

Quem corre há algum tempo, conhece mais do seu corpo do que qualquer outra pessoa. Sabe dos seus limites, seus pontos fortes e fracos, fatores que te estimulam e que te deixam com medo. Você sabe quando uma planilha não te serve (por mais que digam que ela é a melhor para você), da mesma forma que você sabe quando um treino será bom ou ruim, logo nos primeiros passos.

Corredores sabem quando algo é bom ou ruim para melhorar o desempenho nos treinos. Sabemos a hora de tomar água, a hora de se alimentar, o(s) dia(s) de descansar, o melhor calçado, o pior calçado, o ritmo ideal para aquele lugar e para aquele estado físico, daquele dia. Mesmo sem base científica alguma, somos treinados a perceber as reações do corpo para cada estímulo, seja físico ou psicológico.

Portanto, todas as informações que recebemos por aí, devem ser filtradas — e o melhor filtro é o seu corpo. Não confiem cegamente em artigos, propagandas nem em profissionais de currículo extenso. Eles podem até entender da corrida deles, mas não entendem do seu jeito de correr melhor que você.

A função dos profissionais e das pesquisas científicas é orientar, educar e guiar, para que se avalie e conclua se o que foi mostrado faz sentido para você ou não. Não existe consenso nem verdade absoluta para todas as pessoas. Portanto, prestem mais atenção para dentro e menos para fora. Quanto mais treinos, mais estudos sobre si mesmo.

Bons estudos!