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Ano novo, vida nova

Atualizado em 18 de janeiro de 2018
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Normalmente, todo final de ano, publicam-se listas, as mais diversas.

Umberto Eco escreveu um livro sobre o poder das listas. “Há uma atração em enumerar com quantas mulheres Don Giovanni dormiu: foram 2.063 pelo menos, de acordo com o libretista de Mozart, Lorenzo da Ponte. Nós também temos listas totalmente práticas – listas de compras, testamentos, cardápios – que, a seu modo, também são conquistas culturais”, diz-nos Eco.

Eu gosto de listas. Eu gosto do Umberto Eco. Eu gosto, sobretudo, de livros. Tenho algumas listas particulares, de melhores livros, claro, de restaurantes, cidades, também. São listas que pouco ou nada mudam. Memorias Póstumas de Brás Cubas, Cândido, Memorial do Convento podem ter trocado de posição, até, mas nunca saíram da lista respectiva. Igualmente Oustau de Baumanière, L´Esperance à Vézelay, Le Relais de Venise; ou Lisboa, Paris, Londres, Nova York.

 

 

A lista volúvel, a exceção, é a de músicas para correr. Apenas uma música não sai. É aquela que melhor descreve o cruzar a linha de chegada de uma maratona, é aquela que diz que “we can be heroes, just for one day”.

O final de ano é, também, época de promessas. O ano novo termina quando ex-fumantes voltam a fumar. Na noite de 31 de dezembro, fumantes comprometidos fumam, solenemente, o último cigarro. Nas duas primeiras semanas de janeiro as tabacarias possivelmente vendem menos cigarros. Passado tal período, o ano novo fica velho, as promessas são rompidas e tudo regressa ao seu estado normal. Foi Mark Twain quem disse que deixar de fumar é fácil. A prova, segundo o próprio Twain, é que ele já havia deixado centenas de vezes.

Aos sedentários, eu sugeriria uma promessa de ano novo: que deixassem de sê-lo; e, sobretudo, esperaria que a pudessem cumpri-la. E quem sabe um dia pudessem completar uma maratona.