Rabobank anuncia demissão de Rasmussen

Atualizado em 28 de abril de 2016
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Por Daniel Balsa

A Rabobank anunciou no final da noite desta quarta-feira, dia 25 de julho, que o dinamarquês Michael Rasmussen está demitido da equipe e que não prossegue no Tour de France 2007. O ciclista era o líder da competição.

A notícia deixa “obscuro” outros dois episódios que marcaram o dia: a bomba instalada pelo grupo separatista ETA e que explodiu próximo da caravana do Tour e o doping do italiano Cristian Moreni, ocasionando o abandono da sua equipe, a Cofidis.

O motivo principal para o afastamento de Rasmussen da Rabobank foi o fato dele não ter informado seu paradeiro correto durante sua preparação para a prova. Ele afirmou que estava treinando no México, quando, na verdade, se preparou para a prova francesa na Itália.

Devido a isso, Rasmussen não foi encontrado pela União Internacional de Ciclismo (UCI) em duas oportunidades – que seriam quatro, segundo a Federação Dinamarquesa de Ciclismo – para a realização de exames antidoping.

Dirigentes dinamarqueses, inclusive, anunciaram na última semana que o ciclista está afastado da seleção nacional pra a disputa do Mundial de Stuttgart, marcado para setembro deste ano, e também das Olimpíadas de Pequim 2008. A federação afirmou que seu comportamento é, no mínimo, passível de suspeitas.

Entretanto, a Rabobank não entrou neste mérito, apenas se referiu ao seu regulamento vigente.

“Isso burla o regime interno da equipe. Michael não estava no México no mês de junho, como havia nos dito. Ele faltou com a verdade”, declarou um porta-voz da Rabobank.

O time holandês se reuniu com Rasmussen após ele vencer a 16ª etapa do Tour de France, disputada nesta quarta-feira, entre as cidades Orthez Gourette e Aubisque (218 km). Os dirigentes pediram para o ciclista abandonar a competição, o que foi aceito. Logo após, foi decidida a demissão do dinamarquês.

“Ele violou nossa normas. Em conseqüência disso, ele não continuará na disputa”, falou a equipe.

Theo de Rooy, diretor da Rabobank, afirmou que o time holandês chegou a ser advertido sobre o “desaparecimento” de Rasmussen, mas não revelou por quem e nem qual foi o motivo da procura.

“Em enumeras ocasiões foi dito que ele estava treinando e isso era falso. Nossa direção recebeu advertências diversas vezes e hoje recebemos novas informações”, disse.

Sem divulgar quais seriam essas “novas informações”, o diretor declarou que os ciclistas da equipe discutirão se continuarão no Tour de France 2007. Os únicos times que deixaram a prova francesa foram a Astana e a Cofidis, que abandonaram a competição por ter seus ciclistas – Alexandre Vinokourov e Cristian Moreni, respectivamente – envolvidos em casos de doping.

“A situação é muito complicada no momento. Os outros competidores do time vão discutir se continuarão no Tour”, finalizou de Rooy.

Rasmussen, antes da demissão

Após a vitória na 16ª etapa, o dinamarquês criticou o doping de Alexandre Vinokourov. “Se ele casou com o sistema, é porque isso funciona. Eu fiz 14 exames e todos deram negativos”, afirmou o ciclista.

Mesmo questionado pelas suspeitas geradas em torno de seu comportamento, Rasmussen teve de realizar outra análise, pelo fato de ter vencido a prova. O mesmo ocorreu na oitava etapa, vencida também pelo competidor. O primeiro exame deu negativo.

Novo líder

O espanhol Alberto Contador (Discovery) é o novo líder do Tour de France 2007, justamente após ele ter declarado que não alcançaria Rasmussen e que sua meta seria manter o segundo lugar. “Perdi o Tour”, chegou a falar o ciclista após a etapa desta quarta.

Entretanto, a camisa amarela ainda não é de Contador, já que sua liderança só será consumada – caso ele realmente confirme – após a 17ª etapa do Tour.