Bicicletas são mais tributadas no Brasil do que carros

Atualizado em 08 de agosto de 2016
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De acordo com um estudo da Tendências Consultoria feito para a Associação Brasileira do Setor de Bicicletas (Aliança Bike), o imposto sobre bicicletas no Brasil é de 40,5% maior que os dos carros, que representam 32%.

Esta tributação está de encontro com o uso crescente das bicicletas no país, que se tornaram o meio de transporte mais sustentável, devido suas vantagens ambientais e sociais. De acordo com a reportagem, estes números ficam claros na comparação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI): o percentual do tributo federal para os carros populares é de 3,5%, enquanto o das bicicletas produzidas fora da Zona Franca de Manaus (onde é fabricada 21% das bicicletas do país) é de 10%.

Levando em consideração apenas o preço de uma bicicleta brasileira fabricada fora da Zona Franca de Manaus, os tributos elevam seu preço em 80,3%, sendo que uma parcela de 44,5% do preço final dessas bikes é de impostos. Por esta razão, a bicicleta produzida no Brasil é considerada a mais cara do mundo, indo contra a maré da “economia verde”.

Europeus compram mais bikes do que carros

Avesso ao aumento do imposto no Brasil, o número de vendas de bicicletas na Europa aumentou em relação à compra de carros. De acordo com os dados da Associação de Veículos com Rodas da Europa, a Alemanha é o país com o maior mercado de bicicletas: foram 3,96 milhões em 2012.

A diferença dos países europeus para o Brasil está na forma que o governo e a população enxerga – e encara – a bicicleta. Enquanto boa parte dos países europeus gozam da segurança e da praticidade dos ciclistas, com construção e manutenção de ciclovias e ciclofaixas, no Brasil, não há investimento adequado para as bicicletas, fazendo com que os ciclistas tenham que lutar por espaço entre os carros, motos e ônibus pelo trânsito.