Entrevista com Gideoni Monteiro

Atualizado em 20 de setembro de 2016
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O ciclista cearense Gideoni Monteiro, de 26 anos, está próximo de representar o Brasil no ciclismo de pista no Rio 2016. Ele tenta sua classificação na Ominium, que reúne seis provas em uma dentro do velódromo. Para conseguir a vaga, que o país não tem desde os Jogos de Barcelona (1992), Gideoni espera manter a boa performance na última etapa da Copa do Mundo, que acontece nos dias 16 e 17 de janeiro, em Hong Kong (China). Nas etapas anteriores, em Cali (Colômbia) e Cambrigde (Nova Zelândia), Monteiro conquistou o 18º e o 13º lugares, respectivamente, e fez com que o Brasil terminasse 2015 com a 15ª colocação no ranking mundial. Os 18 melhores países vão às Olimpíadas.

Gideoni Monteiro, que ganhou uma medalha em Pans (bronze na Ominium), algo inédito no ciclismo nacional, fala sobre a preparação para o Rio 2016, como enxerga o momento do ciclismo no País e sobre as obras no velódromo do Rio, uma das mais atrasadas.

Você está bem ranqueado na prova da Ominium para o Rio 2016. O que falta para assegurar a vaga? Qual o trabalho até a etapa de Hong Kong da Copa do Mundo?

Atualmente, o Brasil é o 15º colocado no ranking olímpico, sendo que os 18 países mais bem colocados desta lista têm direito a levar um ciclista na Omnium para o Rio 2016. O ranking fecha após o Campeonato Mundial de Londres, no início de março. Portanto, hoje eu estaria na zona de classificação. O objetivo é somar pontos na etapa de Hong Kong da Copa do Mundo, e no próprio Mundial, para garantir matematicamente a vaga nos Jogos. Até Hong Kong, o trabalho será voltado para acertar alguns detalhes que faltaram nas duas etapas anteriores, em Cali (Colômbia) e Cambridge (Nova Zelândia). Percebo uma evolução durante os treinos e acredito que posso mostrar isso na última etapa da Copa do Mundo.

Como é ser um dos poucos brasileiros a competir na Ominium? Como e onde você treina, já que nossa estrutura não é das melhores?

É curioso ser um dos únicos brasileiros na Omnium. É uma prova nova, que avalia velocidade e resistência. Por conta dos meus resultados (e graças ao trabalho da Confederação Brasileira de Ciclismo), divido meus treinos entre o Centro Mundial de Ciclismo, em Aigle, na Suíça, e o Centro de Treinamento de Maringá (PR), que é a base da seleção brasileira de pista. Ambos têm uma estrutura muito bacana.

Como você se interessou em se especializar na Ominium, a mais complexa do circuito de pista?

Me identifiquei com a Omnium por ter as características para a modalidade e por ser uma prova olímpica. Tem a Perseguição Individual,que eu já fazia bem e tinha sido campeão pan-americano. Tem as provas de pelotão, que eu gosto de correr. E tem o quilômetro e as provas lançadas, onde ainda estou treinando para evoluir. O grande segredo da Omnium é manter a regularidade. É uma prova bem semelhante ao decatlon no atletismo.

O que você espera do evento-teste, que segue indefinido por conta do velódromo?

Tanto os brasileiros quanto os atletas estrangeiros vivem essa expectativa para conhecer o velódromo. Acredito que será de excelente nível e vai deixar um legado aos atletas, após os Jogos. Será interessante para desenvolver a modalidade no Brasil e formar ciclistas de ponta. Não tenho dúvida de que teremos o evento-teste. Ele será fundamental para que a gente já sinta o gostinho de competir em casa, tendo o apoio dos brasileiros. Espero deixar uma boa impressão.

Qual sua expectativa para o Rio 2016 e para o desenvolvimento do ciclismo de pista no Brasil pós-Jogos?

Os Jogos Olímpicos são o sonho para qualquer atleta. Eles têm um peso muito grande e mudam a carreira de qualquer um que participe de uma edição. Em 2016, eles serão no Brasil e virão com um gostinho a mais para nós. Poder estar em casa, sentir o calor da torcida, a vibração do povo gritando o nosso nome, carregar a bandeira do Brasil no peito e ter 200 bilhões de pessoas acompanhando ao vivo ou pela TV vai ser uma experiência única. Espero assegurar matematicamente minha vaga no ano que vem para poder desfrutar essa oportunidade.

Quanto ao desenvolvimento do esporte, vejo que o uso da bicicleta vem aumentando expressivamente nos últimos anos, por lazer ou estilo de vida. E, consequentemente, muita gente vai conhecendo o esporte. Tomara que as Olimpíadas ajudem a mostrar à população que o ciclismo é um esporte de muito beleza e que merece mais espaço na mídia.