Ciclismo: UCI adia julgamento da Astana

Atualizado em 05 de agosto de 2016
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Ao contrário do que estava previsto, a reunião envolvendo a UCI (União Ciclística Internacional) e representantes da Astana, realizada na última quinta-feira, não definiu – pelo menos, ainda não – o futuro da equipe no World Tour, categoria mais importante do ciclismo mundial.

Após audiência, a entidade máxima do ciclismo emitiu comunicado confirmando que representantes da equipe do Cazaquistão, da UCI e do Instituto de Ciência Esportiva da Universidade de Lausanne compareceram a audiência diante da Comissão de Licenças (órgão da UCI responsável por definir quais equipes integram a elite do ciclismo) e que o caso “segue pendente”.

A Astana, por sua vez, também contribui para o mistério. “Mais informações foram requisitadas e as estamos providenciando”, disse a equipe, de acordo com o site Cycling News.

Após reunião que teria durado nove horas – segundo o jornal La Gazzetta dello Sport – o presidente da comissão, Pierre Zappelli, decidiu adiar a decisão. O novo prazo para que a Comissão de Licenças defina o futuro da equipe de ciclismo Astana é o dia 24 de abril.

Ainda segundo a publicação, o longo encontro teria sido tenso e as discussões acaloradas, com representantes da UCI e especialistas do Departamento de Esporte da Universidade de Lausanne insistindo que a equipe fosse punida com a perda de sua licença World Tour, enquanto os representantes da Astana, Dimitriy Fofonov (diretor esportivo) e Joost De Maeseneer (médico-chefe), faziam a defesa do time cazaque.

Sobrevida para Astana na elite
A decisão de não dar o veredito imediatamente, diz o jornal italiano, seria um sinal de que Zappelli quer demonstrar independência da Comissão em relação à UCI e que não aceitaria uma decisão tomada de antemão. Atitude que garantiria sobrevida e esperança à Astana.

Depois do encontro da última quinta, a punição à Astana, que parecia uma certeza, agora não é mais que uma probabilidade. Ainda segundo o jornal, a UCI estaria dividida politicamente, com Igor Makarov, presidente da Federação Russa, e Renato Di Rocco, presidente da Federação Italiana, a favor da Astana – equipe de origem eslava e que tem como principal ciclista o italiano Vincenzo Nibali.

Referência no ciclismo mundial, a Astana está na berlinda desde a confirmação de cinco casos de doping envolvendo a equipe do Cazaquistão. O time em que atua Nibali, atual campeão do Tour de France, pode ser rebaixado por conta desses escândalos.

A decisão sobre o futuro da Astana, porém, segue indefinida, alimentando especulações. Na última semana, o jornal holandês De Telegraaf informou que a UCI solicitaria a retirada da Astana do World Tour e que seria prontamente atendida pela Comissão de Licenças. Previsão que, pelo que se noticia, foi cumprida apenas pela metade.

Caso o rebaixamento se confirme em 24 de abril, à Astana poderá candidatar-se apenas a uma licença Continental. Até lá, a equipe pode competir normalmente.

Fontes: Cycling News, UCI, La Gazzetta dello Sport.