Ciclismo traz liberdade ao Afeganistão

Atualizado em 05 de agosto de 2016
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A Equipe Nacional de Ciclismo do Afeganistão está desbravando novos caminhos para o esporte feminino e estabelecendo novos limites sobre que é ou não aceitável para as mulheres no país, que nas últimas décadas foi marcado por políticas públicas conservadoras e restritoras dos direitos das mulheres.

Sob o regime do Talibã, na década de 1990, as mulheres eram excluídas da vida pública no Afeganistão, proibidas de ir à escola e pisar fora de suas casas desacompanhadas de um familiar homem.

Desde a queda do regime, em 2001, os direitos femininos foram ampliados, mas velhos problemas persistem, como a violência doméstica e a discriminação contra aquelas que buscam direitos iguais perante a sociedade.

Atualmente, a equipe feminina de ciclismo é um dos focos importantes de resistência e luta contra o preconceito. Uma luta que persiste apesar de percalços mil. A começar pela falta de dinheiro.

As atletas, que recebem (ou deveriam receber) uma ajuda de custa mensal de U$ 17, não veem a cor do dinheiro desde março de 2014. A explicação para o atraso está supostamente em um problema administrativo, ainda que o time masculino venha recebendo em dia no mesmo período.

Além de não terem dinheiro, as atletas têm uma dificuldade logística tremenda para encontrar locais ideais de treinamento. Como forma de evitar hostilidades de afegãos conservadores e intolerantes, elas têm que treinar a quilômetros das áreas urbanas no deserto, onde não podem ser vistas pela maioria das pessoas.

Ainda que não sejam mais vítimas das leis do Talibã, as jovens seguem aprisionadas, só que pelo preconceito e pelos costumes. Segundo o técnico da equipe Abdul Sadiqi, que também é presidente da Federação de Ciclismo, é especialmente difícil manter a equipe – que é formada em sua maioria por jovens na casa dos 20 anos – porque a maioria abandona o esporte depois de se casar.

Sadiqi serve como escudo para as garotas, mas não consegue impedir que tudo de mal chegue a suas pupilas. Ofensas de motoristas que passam no local são comuns. E as agressões verbas não são as únicas. Uma das integrantes da equipe, hoje, convive com uma cicatriz nas costas, fruto da agressão de um homem numa moto, que tentou agarrá-la.

A equipe de Sadiqi, que renova-se de tempos em tempos, não deve acabar sozinha com o preconceito dos afegãos contra as mulheres, mas tem feito um papel importante na vida das dezenas de atletas que passaram por lá (são 40 atualmente).