Anderson Getulio quebra o recorde da hora

Atualizado em 02 de maio de 2016
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Por Leandro Bittar

O ciclista Anderson Getúlio Cordeiro Rita, o Latino, superou ontem uma das marcas mais antigas do ciclismo nacional ao percorrer 45,860 km durante uma hora no Velódromo Municipal do Rio de Janeiro, equipamento construído para os Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, em 2007.

O feito teve a supervisão da Fecierj – Federação de Ciclismo do Estado do RJ – mas não deve ser homologado oficialmente como a melhor marca nacional por não ter a supervisão nem da CBC nem da UCI.

A antiga melhor marca do ciclismo brasileiro pertence a Jair Braga, que percorreu 45,277 km em 1984. Este ainda é o recordo oficial no país.

Hudson Malta, fotógrafo e idealizador do site Bikebros.com.br, acompanhou de perto a proeza e relata o feito, inclusive com as declarações de Latino. Confira.

O incrível Velódromo Municipal do RJ, na Barra da Tijuca, é um templo sagrado do ciclismo nacional. Mas em uma manhã de sábado de dezembro a sua aparente calmaria foi quebrada para a conquista de um grande feito. Não é possível medir com palavras a importância do dia 18 de dezembro de 2010 para o ciclista Anderson Getúlio Cordeiro Rita, o “Latino”. Depois de estabelecer o primeiro recorde da hora neste Velódromo, em dezembro de 2009, o ciclista se supera novamente e aumenta consideravelmente sua marca, definindo a nova distância de 45.860 metros percorridos em uma hora (180 voltas + 110 metros), quase 2km a mais do que seu recorde anterior.

Iniciando seu feito às 9:00h da manhã do dia 18/12/2010, Anderson aparentava tranquilidade, embora aguardasse com ansiedade o início da sua tentativa. Mesmo com o grande calor do Velódromo do RJ, o velocista estava confiante com as condições: “Treinei bastante durante os últimos dois meses. Cheguei a treinar com pneus a apenas 80 libras de pressão, para a bike ficar mais pesada. Hoje o ambiente está excelente, pois o piso de madeira está seco, o que contribui para um bom desenvolvimento da bike. Quando o ar está mais úmido as voltas são mais pesadas”, declarou ao BikeBros, que registrou tudo desde o início. Anderson estava acompanhado da sua esposa (e também ciclista) Rita Medeiros e do filho Miguel, que transmitiram ao atleta muita vibração e energia, além da calma necessária para enfrentar esta difícil empreitada.

O feito foi acompanhado e certificado pela FECIERJ – Federação de Ciclismo do Estado do RJ, representada por Arthur Castro, vice-presidente da entidade. A medição oficial foi executada por ele, que determinou o tempo como um novo recorde estadual. Segundo Arthur, “esta medição não pode ser considerada oficialmente como um recorde nacional, pois seriam necessárias outras aferições feitas por órgãos superiores, como a CBC – Confederação Brasileira de Ciclismo e UCI – Union Cycliste Internationale. Mas podemos garantir e registrar que esta é, certamente, a melhor prestação da hora em toda a história do velódromo do Rio de Janeiro”. Segundo Rita Medeiros, “a conquista do Anderson estabelece a definição de uma nova marca para o recorde nacional”. A falta de registros históricos e oficiais do ciclismo de pista brasileiro dificulta a pesquisa e aferição da marca em nível nacional. “O que importa é que estamos fazendo a nossa própria história no Rio de Janeiro. É muito importante publicar, registrar e preservar essa história”, afirma Arthur Castro.

Em dezembro de 2009 Anderson estabeleceu o primeiro recorde do Velódromo do RJ, marcando 43.920 metros percorridos em uma hora (175 voltas + 170 metros). A extraordinária evolução do ciclista durante 2010 garantiu a conquista de um tempo muito superior. “Eu esperava algo em torno dos 44km na nova tentativa. Quero estar aqui de volta em 2011 para superar esta marca, mas quero também que outros velocistas venham e tentem quebrar o tempo. Sinto necessidade de treinar com mais alguém aqui no velódromo, pois muitas vezes vim para cá pedalar totalmente sozinho. Agradeço à Deus por esta conquista”, declarou o ciclista, que já pedala na pista oval há 2 anos. Ainda em 2010 Anderson conquistou outro grande sonho, sagrando-se Campeão Brasileiro de Ciclismo de Pista na modalidade “Scratch”, no campeonato nacional realizado no mesmo velódromo, em abril.

Com 34 anos, o ciclista já se havia se tornado um ícone do ciclismo de estrada no Estado do Rio, e agora se firma como o “número 1” também no velódromo. Em uma grande fase na sua carreira esportiva, Anderson pretende conquistar mais um título nacional em 2011, mas aponta a grave falta de apoio de patrocinadores. A grande dificuldade em conseguir patrocínio para esta quebra do recorde mostra de forma clara os problemas que nossos atletas encontram para conquistar novas vitórias. Com esta segunda quebra de recorde consecutiva, Anderson mostrou sua grande competência e espera efetuar a tentativa de 2011 com muito mais apoio.

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Anderson Getúlio contou com o patrocínio do MAR PALACE HOTEL, PISO FORTE e OXYGEN, além do apoio de BARBEDO SPORTS, REVISTA TRIATHLON EM REVISTA, FECIERJ e do siteBIKEBROS.COM.BR. O treinamento foi realizado por WALTER TUCHE ASSESSORIA ESPORTIVA, junto à nutricionista TÂNIA ABREU DE ALMEIDA.

FICHA TÉCNICA
Atleta
Anderson Getúlio Cordeiro Rita
Idade: 34 anos
Altura: 1,70m
Peso: 62Kg

Dados gerais
Local: Velódromo Estadual do Rio de Janeiro, Autódromo de Jacarepaguá, Barra da Tijuca – Rio de Janeiro/RJ
Aferição: Arthur Castro / FECIERJ – Federação de Ciclismo do Estado do Rio de Janeiro
Dia da marca: Sábado, 18/12/2010
Horário de início: 9:00h
Horário de término: 10:00h
Clima: Sem chuva, ensolarado
Temperatura externa: 32 graus
Temperatura no velódromo: Não aferida
Umidade relativa do ar: Aproximadamente 80%
Pressão barométrica: Aproximadamente 1024 bar

Equipamento:
Marca/modelo da Bike: Não divulgado pelo atleta
Roda dianteira: Aero, carbono, marca não divulgado pelo atleta
Roda traseira: Aero, lenticular, marca não divulgada pelo atleta
Pneus: 180 libras, marca não divulgada pelo atleta
Guidão: Track, carbono, marca não divulgado pelo atleta
Clipe: CRI, carbono, marca não divulgada pelo atleta;
Capacete: Aero, marca não divulgada pelo atleta;
Sapatilhas: marca não divulgada pelo atleta;
Pedivela: 175mm, marca não divulgada pelo atleta
Relação: 55×14 (corrigido)
Média de RPM: 91