Respiração ofegante na corrida e caminhada

Atualizado em 16 de outubro de 2019
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Quando um caminhante ou corredor resolve se “aventurar” nos treinamentos, certamente, sua experiência será uma grande aventura. Sentir os primeiros metros do exercício, muitas vezes, faz o praticante se lembrar de todas as maluquices que passou e por tantas vezes penou em aventuradas desmedidas.

É nestes primeiros instantes do exercício, sofrido, que rodamos parte do filme de nossas vidas. Isso se dá pelo fato de estarmos com a respiração ofegante, até que nos aqueçamos e, algumas vezes, até que interrompamos o exercício, caso tenhamos resolvido ir um pouco além.

Mas, será que situações como estas fazem bem? É sabido que nos primeiros 1000 metros o corpo ainda está se adaptando à prática do dia, tenta administrar um débito cardiorrespiratório capaz de constranger qualquer cidadão, caminhante ou corredor. É também nos primeiros instantes da corrida, que podemos ter problemas, quando esta prática se dá nas primeiras horas da manhã. Em maratonas, quando o corredor “perdeu a mão”, entrou num ritmo desmedido, aí sim, sua respiração desregulada, suas forças diminuídas, todos os momentos ruins de sua vida podem passar pela sua cabeça.

Respira! Grita o treinador. Respira que passa, diz o amigo. Respira para melhorar seu esforço! Respira para relaxar, respira e respira.

Esta costumeira mensagem traduz, em poucas letras, todo o sentido do ato e da necessidade principal do corpo que é respirar.

Mas, o que vem a ser a respiração? Desmedida, equilibrada e branda, natural, pelo nariz ou pela boca, pelos poros e por onde mais for necessário e possível.

Vamos entender o que vem a ser a respiração?

Respiração é o ato de uma função coordenada de nariz, boca e poros, que procuram corresponder com o conjunto de atividades do aparelho cardiorrespiratório, composto por pulmões e coração que, por sua vez, procuram corresponder com o intrincado sistema magnífico de artérias, veias e capilares, conduzindo sangue enriquecido para um conjunto de bilhares de células, no momento do esforço inicial ou intenso da prática de exercício, via atividades de contração muscular, sempre coordenadas pelo cérebro, para andar ou correr, que requer o reequilíbrio de seu metabolismo.

Mas, por que desequilibramos a respiração? É favorável desequilibrá-la? Até que ponto é importante manter este desequilíbrio? O que colhemos com este desequilíbrio?

O desequilíbrio provoca uma função especifica na natureza humana, de movimentação e melhora dos aparelhos motores e metabólicos. É a partir dos movimentos mais dinâmicos que conseguimos melhorar as nossas funções físicas e adicionar o bem estar em nossa rotina diária. Para entrar em débito cardiorrespiratório, basta que executemos um exercício que está acima de nossa condição aeróbica (ponto de descompensação, ou limiar 2).

Pronto, aí está como é costumeiro ouvir, o respirar sofrido de muita gente em academias, parques, praias e ruas. Mas, o desequilíbrio, como todos os atos humanos, tem seu ponto ruim e o seu ponto bom. Respirar intensamente pode ser favorável para recuperarmos uma melhor oxigenação celular e aumentar a condição cardiorrespiratória para correr, por exemplo, contínua e intensamente. Mas esta é uma função específica e deve ser trabalhada sob a orientação de um profissional competente.

O trabalho de caminhada e corrida intensas deve ter um objetivo especifico. O exemplo da praticidade desta função; melhorar a função cardíaca e metabólica. Estes tipos de atividades proporcionam aumento do nível de condicionamento físico e quanto mais intenso for, melhor e mais específica será sua utilidade para o praticante. Ou seja, não se deve praticar intensidade por simples prazer de se ver super ofegante, mas sim, com a finalidade objetiva dos seus resultados de exames médicos (ergo espirometria ou ergonometria), que determinarão o que é médio e o que é forte em sua pratica esportiva.

Então, para entender o que vem a ser uma respiração desmedida, é só imaginar que ao se embrenhar em treinamento intenso, você poderá sentir, além da sua respiração muito intensa, uma sensação de ânsia de vômito, sua musculatura ficar tensa e dolorida por alguns dias (quem nunca experimentou a velha e conhecida contratura dos gastrocnêmicos, vulgo “batata das pernas”?), quando você terá dificuldade em correr leve, suas noites de sono serão penosas e em alguns casos mais demorados de práticas intensas, e pela falta de adaptação fisiológica, seu humor poderá mudar (é o sinal de over training).

Quando andamos ou corremos para preencher nossas planilhas de treinos e construir a base de treinos, a respiração para estas situações será de equilíbrio, natural e branda. Por quê? Sentir o corpo numa prática equilibrada entre a absorção de oxigênio e a necessidade celular para manter-se em movimento, permite aumentar a irrigação geral em nosso corpo, requer das reservas de gordura a energia providencial que tanto almejamos (limiar 1 ou ponto de compensação). Este gesto diminui as medidas corporais e alimentam nossos sonhos de correr um dia, uma maratona.

Respirar pela boca, pelo nariz e pelos poros também…

A respiração é natural e deve ser facilitada para que seja realizada pelo nariz, quando o ritmo for adequado a tal prática respiratória; pela boca, quando for necessário e diante de esforços maiores, onde o desequilíbrio fizer parte do nosso exercício; pelos poros é por onde se dá boa parte das trocas de vapor e ar inalado. É, portanto, necessário, que se tenham os poros sempre desimpedidos, o que facilita a respiração. Alguns tecidos tecnológicos podem melhorar a função da pele neste quesito.

Três tipos de Caminhada e Corrida podem definir os padrões:

Correr por diversão
Caminhar ou correr com os amigos. Não requer muito esforço e deve ter uma conotação lúdica.
Corrida intensa

A intensidade começará com a seguinte pergunta: Por quê? Se desejar motivar e melhorar a sua prática, então este será o caminho, uma caminhada ou corrida individual e intensa.

Velocidade Pré- estabelecida

Correr com a finalidade especifica e esportiva requer treinos intensos e compatíveis com a sua prova. Por exemplo, treinar tiros de 100 metros, quando você deseja realizar uma maratona, via de regra, pode significar treino insuficiente. Se você deseja realizar treinos para uma prova de 5 km, então, treinar tiros de 15 km, pode ser um tanto dispendioso.

Treine pouco, muito ou intenso, mas treine especificamente para a prova escolhida. Sua respiração agradece.

Confira os artigos de 2010 de Miguel Sarkis.

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