Quadril: síndrome do impacto femoroacetabular

Atualizado em 09 de outubro de 2019
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O quadril é capaz de sustentar até dez vezes o peso do nosso corpo e apresenta grande amplitude de movimento multidirecional. Portanto, não passa de mito a afirmação de que a corrida trabalha contra a sua função.

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Qualquer anomalia nessa estrutura, porem, compromete todo o conjunto, prejudicando a articulação. As lesões podem ser congênitas (ou seja, a pessoa porta ao nascer) ou adquiridas (por repetição, traumas ou desgaste acelerado) e se caracterizam por um encaixe imperfeito dos ossos, que provaca atrito entre eles e causa danos irreversíveis à articulação. Em longo prazo, a degeneração evolui para artrose no quadril. O diagnostico é relativamente recente e recebeu o nome de Síndrome do Impacto Femoroacetabular, com incidência em 10% da população e 70% em esportistas. Também é responsável por 50% a 80% de todos os casos de artrose de quadril.

Risco calculado

O impacto femoroacetabular pode exigir intervenção cirúrgica, ainda que apenas em casos extremos. Os sintomas começam com dores fracas, esporádicas ou continuas e pioram com a atividade física. O diagnostico exige um exame clínico acurado, seguido de radiografias, de ressonância nuclear magnética e ate de artrorressonância magnética (contraste). Esse tipo de lesão é degenerativa progressiva, dai a importância de diagnóstico e tratamento precoces, sob risco de degeneração definitiva das articulações (artrose), mesmo em atletas mais jovens. As cirurgias podem ser por corte ou artroscopia do quadril (procedimento minimamente evasivo, com duas pequenas incisões para a passagem de cânulas com câmera e instrumentos).

Como é

No impacto femoroacetabular a borda do osso da bacia e a cabeça do fêmur não se encaixam perfeitamente, provocando atrito entre os ossos, com prejuízos para a cartilagem, que se destaca de modo irreversível. Como uma coisa leva à outra, ocorre também lesão no labrum acetabular, que pode progredir para artrose. Esse problema biomecânico acontece nos extremos da amplitude de movimento (dobrado ou rodado para dentro) ou em explosões de força e é incapacitante, tanto em esportistas jovens como nos experientes (o risco é quatro vezes maior depois de 20 anos de treinamento).

Causas – predisposição anatômica do conjunto do quadril – alteração mecânica na articulação nos movimentos – choque anormal entre o fêmur e a reborda acetabular – lesões do labrum, da cartilagem ou de ambos – falta de diagnostico adequado, o que pode fazer a síndrome evoluir para artrose em longo prazo

Sintomas – dor na coxa irradiada para dentro da perna ou joelho – travamento da musculatura ao sentar, levantrar entrar e sair de carros e utilizar escadas – redução da flexão ao caminhar, calçar sapatos etc. – dores esporádicas ou continuas, em queimação ou fisgadas, ou residuais após sobrecargas

Tratamento – medicação, infiltração, fisio e termoterapia, imobilização, pilates, reabilitação e reeducação postural – restrição contra impactos e desgaste da cartilagem, mas com manutenção de atividade e condicionamento – cirurgias para correção de deformidade óssea e lesão anatômica do labrum ou cartilagem – artroscopia para lesão labral ou da cartilagem, com implantação de prótese nos casos mais avançados

Prevenção – orientação sobre treinos, nutrição e escolha do tênis – passar por avaliação medica e respeitar o repouso – trabalhar grupos musculares com musculação, alongamento, equilíbrio e postura – evitar sobrecarga de pesos e exercícios de impacto, flexão e abertura do quadril – adaptar-se ao treino antes de elevar a carga

Retorno à corrida – após o fortalecimento muscular nas coxas e no quadril – com o retorno total da amplitude nos movimentos – na ausência total de dores – após a restauração das funções do quadril em sustentar peso e os movimentos do corpo.