Psicologia esportiva e as lesões

Atualizado em 18 de maio de 2011
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* Por Daniela Lago Chaves Koerbel

No contexto nacional e mundial, cada vez mais as pessoas estão procurando por qualidade de vida e, por conseguinte, procuram por bem-estar. Desta forma, os centros esportivos, as academias, os clubes e até mesmo as ruas, nunca ganharam tantos praticantes de atividades física como na atualidade.

Todavia, a modalidade esportiva que vem ganhando destaque e cada dia mais adeptos é o Atletismo, especialmente as corridas de rua. E, para se iniciar nessa atividade basta apenas que se decida ser o que se é, que se decida ser feliz. Após esta tomada de decisão, cabe agora que se faça um check-up médico para avaliar as condições físicas para tal prática.

Depreende-se da Psicofisiologia do Esporte e do Exercício que o ato de correr de forma contínua e constante favorece a diminuição dos níveis de estresse e, por conseguinte, desacelera os níveis de cortisol e é liberada endorfina na corrente sanguínea. Assim, durante a prática da referida modalidade, sente-se bioquimicamente e psicologicamente uma sensação de êxtase total e de completo bem-estar.

Conforme o exposto anteriormente, a sensação de prazer que é despertada pelo ato de correr faz com que, muitas vezes, praticantes desta modalidade esportiva excedam em seus treinos e em suas competições, ocasionando o overtraining e, em alguns casos, o burnout (distúrbio psíquico de caráter depressivo, precedido de esgotamento físico e mental intenso). Com isso, o que geralmente acontece é um acúmulo de ácido lático nos músculos, dores intensas, e possíveis lesões esportivas.

Mas, quando isso acontece, o que se deve fazer?

Quando se diagnostica que o atleta, seja ele amador ou de elite, apresenta sintomas de burnout, o que se verifica é que há uma “saturação emocional do atleta devido à sobrecarga física e mental, que é considerado um estado avançado da síndrome de overtraining”(Samulski, 2009).

Com toda esta sintomatologia, o praticante de corrida acaba tendo um efeito contrário em seu rendimento esportivo, uma vez que seu nível de desempenho na atividade tenderá a reduzir, podendo além disso sofrer lesões esportivas importantes.

Quando se está acometido por algum tipo de lesão física proveniente do excesso ou do próprio desgaste físico dos treinamentos e competições, o atleta deverá parar com suas atividades até que se recupere e se restabeleça. E o que se deve fazer, primeiramente, é consultar um médico do esporte para que, juntos (médico e atleta), encontrem a melhor maneira de se fazer uma reabilitação adequada ao caso.

É válido ressaltar que uma lesão física não surge isoladamente, ou seja, uma lesão física também costuma vir acompanhada de uma lesão emocional, uma vez que o atleta estará obrigado a parar todo seu treino e sua rotina esportiva em prol de sua pronta e eficaz recuperação.

Com isso, as principais reações psicológicas são sentimento de raiva, impotência, tristeza, medo,fadiga, incredulidade, negação, baixo auto-estima e, em alguns casos, depressão. Assim, é salutar que o atleta procure um psicólogo do esporte, uma vez que somente este profissional é capacitado para manejar os aspectos físicos e psicológicos de uma lesão.

Uma técnica comumente utilizada para atletas de alto rendimento é o “treinamento mental ou visualização”, associado ao processo terapêutico tradicional. Esta técnica permite que, ao se visualizar o processo de cura com sucesso, se reduza as expressões fisiológicas e verbais de medo e de dor por meio do envio de sangue à área lesionada e, por conseguinte, o processo de cura seja mais rápido.
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*Psicóloga do Esporte e Psicóloga clínica – CRP 08/10496
Colaboradora da Comissão de Psicologia do Esporte do Cons. Reg. de Psicologia do PR
Colaboradora do grupo de Mestrado da UFPR em Psicofisiologia do Esporte e do Exercício.
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