Saiba mais sobre a orquite e aprenda como evitá-la

Atualizado em 08 de novembro de 2019
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Os testículos são as glândulas sexuais masculinas, responsáveis pela produção da testosterona, ou hormônio sexual masculino, e dos espermatozoides. Lesionar essa região pode significar desde febre e mal-estar até o risco de infertilidade, nos casos mais graves.

“As causas mais comuns de orquite (lesão em um ou nos dois testículos) são as infecciosas”, conta o urologista Marcelo Apezzato. Nesse grupo, as virais são as mais frequentes (a mais conhecida é a causada pelo vírus da caxumba). Por sua vez, a orquite bacteriana está geralmente associada a micro-organismos causadores de infecções urinárias (principalmente na faixa etária entre 51 e 70 anos) e DST (Doenças Sexualmente Transmissíveis, principalmente entre 16 e 30 anos).

“Mas há outras causas menos comuns para a orquite, tanto infecciosas (infecção por fungos, bacilo da tuberculose ou parasitas) ou não infecciosas, como as relacionadas a traumas”, afirma o urologista.

Como acontece

A orquite é gerada por traumas atinge alguns corredores que não usam sunga ou cueca por baixo do short. “Tem gente que acha que o testículo tem que ficar solto. O testículo é um órgão pendular. A cada passada ele sobe e desce. Se estiver solto, cada vez que ele desce, sofre um traumatismo e vai criar uma inflamação. Imagine repetir (esse choque) durante 42 km numa maratona…”, alerta o urologista Eduardo Kawakami.

A queda da imunidade provocada pelo desgaste de uma prova longa também pode causar orquite. “O corredor debilitado pode ficar gripado e pegar uma infecção mais fácil, por vírus ou bactérias. Uma dessas infecções pode vir por meio do sangue até o epidídimo (túbulo que coleta e armazena os espermatozoides) ou até o testículo”, explica o dr. Eduardo. Outra condição é o refluxo de urina da bexiga pelas vias condutoras do sêmen. Como a urina passa pelo mesmo lugar do sêmen, quando está infeccionada, pode contaminar o testículo. A lesão mais comum é em apenas um testículo, e não traz consequências graves. O perigo maior é a orquite bilateral, que afeta os dois testículos de uma só vez. É muito difícil provocar impotência, mas pode gerar a infertilidade.

Lesões diferentes, dores parecidas

Os testículos estão sujeitos a sofrer problemas mais sérios, como lesões na região do púbis (pubalgia, fraturas de estresse do púbis ou inflamações da sínfise púbica-sinfisites) e danos na articulação do quadril, como desgaste do lábio acetabular ou artrose. “Essas lesões manifestam-se como dor testicular e podem ser confundidas com problemas não ortopédicos”, alerta o ortopedista e corredor Henrique Cabrita.

Grupo de risco

• Corredores de longas distâncias que não usam um sustentador de escroto.

Causa

• Impacto frequente dos testículos, que sobem e descem durante a corrida, causando traumatismos na região, caso o corredor não use sunga ou cueca embaixo do calção.
• Estar com a imunidade baixa após fazer um esforço intenso demais em uma prova longa.
• Infecção da urina que chega ao testículo.

Sintomas

• Inflamação que gera inchaço dos testículos.
• Dor intensa em um ou nos dois testículos.
• Febre e mal-estar.
• Calafrio e náusea.

Tratamento

• Repouso total de três dias. Treinos, após uma semana.
• Anti-inflamatórios e antibióticos, prescritos por médico.
• Utilizar um suspensório escrotal ou sunga justa.

Prevenção

• Usar sunga ou um suspensório escrotal.
• Não correr quando estiver com a imunidade baixa.
• Não ficar com roupas molhadas após treinar, para evitar gripe.

Retorno às corridas

• Após o fim do processo inflamatório, em geral entre duas semanas e 30 dias.

Fontes: Dr. Eduardo Kawakami, urologista formado na Faculdade de Medicina da USP, é especialista em endourologia e uro-oncologia. Trabalha no Hospital Oswaldo Cruz e atende também em consultório particular. Dr. Henrique Cabrita, ortopedista e traumatologista formado na Faculdade de Medicina da USP, com docência no Curso de Ortopedia e Traumatologia na pós-graduação da Faculdade de Medicina da USP. É médico assistente do Instituto de Ortopedia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP e membro titular do Instituto Vita Care. Dr. Marcelo Apezzato, urologista e clínico geral formado pela Faculdade de Medicina da USP, com residência no Hospital das Clínicas. Atua como urologista no Hospital Israelita Albert Einstein.