Entrevista: Lauro Chaman

Atualizado em 11 de setembro de 2011
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Por Tadeu Matsunaga

Neste domingo será realizada a prova de estrada no Campeonato Mundial de Paraciclismo, que acontece na Dinamarca. Com uma equipe sólida, que une experiência e juventude, o Brasil é um dos países com maior chance de medalha na modalidade. Atual campeão brasileiro e com duas medalhas de ouro na última edição da Copa do Mundo, Lauro Chaman (Memorial/Giant/Prefeitura de Santos) é um dos destaques da seleção nacional, que conta também com Soelito Gohr e João Schwindt.

Aos 24 anos, Chaman tem se destacado não apenas no paraciclismo, como também na elite, obtendo resultados expressivos e surge como um dos fortes nomes da nova geração do ciclismo brasileiro. Em entrevista ao Prólogo antes de embarcar para a disputa do Mundial, o jovem ciclista fez uma retrospectiva de sua carreira, falou sobre as dificuldades enfrentadas na adolescência e reforçou que chega ao continente europeu com um único objetivo: a medalha de ouro.

Prólogo: Vem tendo uma grande temporada em 2011. Qual o segredo para se destacar de tal forma?
Lauro Chaman: Muito trabalho e dedicação. Acho que fiz uma temporada muito boa até o momento. Fiquei muito feliz com o resultado na Copa América, quando terminei em quinto. É uma das provas mais disputadas do Brasil; isso se não for a mais disputa. Isso é um grande estímulo. Na sequência consegui vitórias em competições de um dia e me tornei campeão na Copa do Mundo de Ciclismo Paraolímpico. Depois veio o título brasileiro. Isso me dá uma certeza. Estou no caminho certo.

P: Com esse currículo de peso conquistado recentemente se considera favorito para o Mundial?
L.C: Não sou o favorito. Tem muitos países que podem ser classificados como favoritos, além dos ciclistas que estarão na Dinamarca. Não me vejo como um favorito, mas sei que me preparei bem para a competição. Recentemente estive no Tour do Rio (realizado no final de julho) e venho treinando forte até hoje.

P: Soelito Gohr estará na competição mais uma vez. Ele é bicampeão mundial. Vocês tem uma tática pré-estabelecida?
L.C: É muito bom correr com o Soelito. É um grande atleta e um grande amigo. Tem muita experiência e isso ajuda, sem dúvida. Espero que o Brasil vença e estou treinando para ser campeão mundial. Se por acaso eu não conseguir, que um de nós brasileiros consiga. Não temos nada pré-estabelecido. Quando estivermos todos reunidos nosso técnico irá definir a estratégia. Espero fazer um grande papel na estrada e no contrarrelógio.

P: Como é dividir o calendário em provas do paraciclismo e da elite? Sofreu preconceito?
L.C: Para mim é uma situação normal. Estou mais do que acostumado com isso. Entro nas duas modalidades buscando a vitória. Se não consigo o objetivo não é devido as minhas limitações, mas sim porque os adversários estão mais fortes do que naquele momento. Acho que não (em relação ao preconceito). Quando criança sempre tem aquelas brincadeiras da mulecada, mas não é por maldade e sim para tirar um sarro mesmo. Hoje até eu brinco com isso e falo: – Se não fosse minha canelinha não era campeão da Copa do Mundo.

P: Qual sua deficiência?
L.C: Nasci com o meu pé virado para dentro. Em decorrência disso, perdi parte dos movimentos e da força na perna. Passei por algumas cirurgias para ajudar na recuperação.

P: O calendário sofreu algumas baixas em 2011. Consegue viver apenas do ciclismo?
L.C: Eu divido meu tempo, pois também trabalho em uma gráfica. Eu divido meus treinos. Alguns dias treinos de manhã, outros à noite. Vou conciliando. Gostaria de aproveitar a oportunidade e agradecer ao Sr. Haroldo Bolsoni e a Grafinew, que são compreensíveis e me deixam viajar para disputar as competições.

P: Como iniciou a relação com a bicicleta?
L.C: Eu ia à escola de bicicleta e também tinha alguns amigos que andavam. Aí comecei a correr de mountain bike. Minha primeira equipe foi o time de Araraquara, onde competi por quatro anos e venci os Jogos Regionais. Nessa época eu já havia migrado para a elite profissional. Depois fui contratado pela equipe de São Carlos, mas eles tiveram problemas financeiros. Não tinha pagamento de salário. Foi um período difícil onde a dona da gráfica me ajudou bastante. Eu aguardava o interesse de alguma equipe, mas chegou um período em que estava para abandonar e parar de correr, mas apareceu a Memorial com o Claudio (Diegues) e me acolheu. Hoje estou muito feliz com minha situação e procuro vencer sempre, não apenas no ciclismo, mas na vida.