Daniel dos Prazeres e Rosângela Figueiredo

Atualizado em 31 de outubro de 2008
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Por Fátima Martin

O início da 5ª edição do circuito The Greatest Race on Earth (Groe), composto por quatro maratonas – Nairóbi, Singapura, Mumbai e Hong Kong –, foi realizado na capital e maior cidade do Quênia, Nairóbi, no dia 26 de outubro, e os quenianos Emma Muthoni (2h33min42s) e Philemon Yarasia (2h17min11s) venceram em casa.

Apesar do cansaço e dores físicas, a equipe brasileira conquistou boa colocação individual. Daniel Panta dos Prazeres, 38, finalizou a corrida em terceiro lugar em sua categoria, com o tempo de 2h49min12s, enquanto Rosângela Figueiredo, 27, quarta colocada em sua categoria, terminou a prova em 3h33min20s.

O maior desafio foi a adaptação dos atletas brasileiros e até dos próprios quenianos à capital, localizada a cerca de 1.700m de altitude. Em lugares com altas altitudes, como Nairóbi, a diminuição da pressão do ar resulta na redução da quantidade de oxigênio, o que prejudica o transporte de oxigênio do sangue para os músculos e, como conseqüência, o processo de fadiga muscular é acelerado durante a atividade física. “Tanto o Daniel quanto a Rosângela terminaram muito bem a prova. Nós já sabíamos da dificuldade que seria em correr em uma altitude alta sem treinar previamente em uma região que tivesse altitude semelhante. Planejamos Campos de Jordão, mas como Daniel trabalha, não conseguimos. Se os atletas não estivessem bem preparados, eles não conseguiriam chegar até o fim da corrida”, garantiu o treinador de Daniel, Elias Tavares.

A Groe é uma das grandes competições entre países, dividida em três grandes regiões (África, Sul da Ásia, Nordeste da Ásia e Resto do Mundo). Dentro das regiões, cada país tem uma equipe formada por quatro homens e quatro mulheres, que concorrem ao prêmio de 1 milhão de dólares no final do circuito.

A equipe da O2 Por Minuto conversou com Daniel e Rosângela sobre a competição na África, e o resultado dessa experiência, que reuniu 36 equipes de 24 nações diferentes para a prova.

O2 Por Minuto – Como foi a preparação no Brasil e nos dias que antecederam a prova, em Nairóbi?
Daniel dos Prazeres –
Treinei em dias bem quentes em São Paulo para o corpo ficar preparado ao clima de Nairóbi. Quando cheguei à capital, dois dias antes da prova, treinei leve, corri cerca de 40 minutos, e fiz 10 tiros de 100 m. Não cheguei a treinar em altas altitudes em São Paulo, porque trabalho como barman em uma restaurante mexicano, e não tive como conciliar os meus horários para viajar a Campos de Jordão.
Rosangela Figueiredo – No meu treinamento, dois meses antes da prova, fiz tiros de mil e rodagem semanal de 120 km. Ao chegar ao Quênia, fiz séries de tiros e corri bem leve no ginásio de esportes local.

O2 Por Minuto – Daniel, você acreditava que terminaria a prova em um tempo médio de 2h25min, e a Rosângela, em 3h15min. O que dificultou a conclusão no tempo previsto?
Daniel dos Prazeres –
Estou bem mais preparado este ano do que estava no ano passado. Além de aumentar o volume de treinos, também tenho participado de muitos eventos de corrida. Hoje, corro cerca de 130 km por semana. No ano passado, participei da Groe em Hong Kong, na China, com o tempo de 2h35min, apesar do vento forte. Como estou correndo muito mais este ano, imaginei que conseguiria concluir o percurso no máximo em 2h30min. Porém a alta altitude causou muitos dores nas costelas e falta de ar. Após o 30 km, quase desisti, mas diminui o ritmo e finalizei a prova ofegante.
Rosângela Figueiredo – O que mais senti foi o fuso-horário. Fiquei com muito sono nos dois dias antes da disputa. No dia da competição, a alta altitude atrapalhou bastante. Senti dores abdominais desde o início da corrida. Se estivesse correndo por conta própria, sem o apoio da equipe, teria desistido. A largada foi muito tumultuada, o empurra-empurra quase me fez cair no chão. Além disso, o chão precário, acidentado, aumentou o meu pace para 4min30s. Este ano, também participei da Maratona de Mumbai, na Índia. A corrida foi bem forte, mas consegui ficar 18º lugar, com 2h58min.

O2 Por Minuto – O evento, no geral, foi como vocês esperavam?
Daniel dos Prazeres –
Fiquei surpreso com a dificuldade de vários quenianos durante o percurso. Na segunda volta, muitos atletas sentaram exaustos e com falta de ar no meio da rua ou nas calçadas. Esta foi a prova mais difícil que participei até hoje, e me sinto vitorioso por ter concluído o percurso. Espero que a minha equipe também dê o melhor de si nas outras etapas.
Rosângela Figueiredo – Achei o evento bem organizado. Gostei bastante do jantar de massas, com apresentação de uma banda ao vivo, que a organização do evento preparou para recepcionar os atletas.

O2 Por Minuto – Depois da corrida em Nairóbi, quando vocês retomam o treinamento e qual será a próxima prova importante?
Daniel dos Prazeres –
Começo a treinar no mesmo ritmo, 130 km por semana, a partir de sexta-feira, dia 31. Quero aproveitar a experiência da prova de Nairóbi e a resistência física adquirida para usar na Maratona de Curitiba, no dia 23 de novembro ou como treino para alguma prova importante em 2009. Eu e o meu treinador (Elias Tavares) ainda não definimos qual será o próximo grande evento.
Rosângela Figueiredo – Voltei na terça-feira, dia 28, e vou descansar até sexta-feira. Começo a treinar bem leve, trote e tiros de 100 m, a partir de sábado. O meu foco agora será a Sargento Gonzaguinha (15 km), no dia 11 de dezembro. Preciso chegar entre as dez primeiras colocadas para conseguir sair na equipe da elite da São Silvestre este ano. Nos dois anos anteriores, fiquei em quarto lugar, com 52min, na Gonzaguinha.