Corrida na infância

Atualizado em 20 de dezembro de 2011
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Por Fernanda Silva

Acostumadas com a corrida em diversas brincadeiras e também inspiradas nos pais atletas, as crianças já até têm à disposição uma enorme variedade de provas destinadas exclusivamente a elas. Entretanto, apesar dos diversos pontos positivos que a atividade proporciona, é preciso ficar atento, pois a prática infantil deve ser de feita maneira lúdica e recreativa. A diversão deve ser a principal razão em participar dos eventos de corrida ou mesmo de campeonatos escolares.

Quando há grande imposição da atividade ou pressão sobre seu pequeno, o aparecimento de estresse e desgaste emocional é provável. “Os pais corredores sabem e sentem os benefícios que a corrida proporciona. Com isso, há uma tendência em querer introduzir a atividade na vida de seus filhos de maneira precoce e negativa. Não há nada melhor do que a criança descobrir e vivenciar as diversas modalidades esportivas, sem pressão”, recomenda o diretor técnico da Lobo Assessoria Esportiva, Rodrigo Lobo.

Outro ponto importante é a disputa. Por se tratar de um esporte individual, que estimula o lado competitivo, a criança pode se sentir pressionada, especialmente nas corridas. Por isso, as provas, além da atividade física, devem oferecer outras brincadeiras e temas lúdicos e adequados para a faixa etária. As disputas são destinadas, normalmente, para crianças de dois a14 anos, divididas em trajetos que variam de 50 a 400 metros, de acordo com a idade e acompanhadas por um responsável, se preciso.

Treinamentos
Mesmo com a prática de atividades físicas na escola, as crianças não devem manter um treinamento de corrida, mas sim uma prática natural sem maiores esforços, para não interferir na biomecânica do corpo, ainda em desenvolvimento. Já a partir dos 16 anos, pode-se começar aumentar um pouco mais o volume e intensidade de corrida, porém, ainda deve-se ter atenção para não haver desgaste motivacional e físico, fazendo com que adolescente abandone a modalidade.

“Esse treinamento pode ser intercalado com outras modalidades e com dias de descanso, com volume moderado e intensidade leve à moderada”, indica Lobo. Lembrando que, neste momento, o principal cuidado é com a fase de crescimento. “Esta especialização e treinamento devem ocorrer após o pico de velocidade de crescimento que, para os meninos, ocorre de 14 a 15 anos, e para as meninas, dos 13 aos 14 anos”, reforça Ronaldo Martinelli, sócio diretor da Assessoria Esportiva 5 Ways Sports Consulting. “Essa é a fase certa – dos 13 aos 15 anos -, para iniciar uma preparação psicológica para o esporte e regrar itens importantes, como a alimentação e as horas de sono”, complementa.

Benefícios
Com o objetivo competitivo ou não, a prática de esportes desde a infância melhora o desenvolvimento da criança, além de torná-la um adulto mais saudável. “O aprendizado motor e a melhora das capacidades físicas são fundamentais para que o indivíduo possa praticar atividades e ser manter saudável a vida toda. No atletismo, por exemplo, eles têm a oportunidade de praticar gestos e movimentos que podem ser utilizados no dia a dia e na prática de qualquer outro esporte”, explica Martinelli.

Além disso, com o avanço tecnológico, os pequenos acabam se limitando às brincadeiras em computadores e videogames. Desta forma, a atividade ao ar livre e de forma natural irá aprimorar muito a aprendizagem e a convivência com outras crianças, além de combater à obesidade e doenças advindas do sedentarismo, tanto na infância como no futuro, criando o hábito de se exercitar e cuidar da qualidade de vida.