Corrida consciente: saúde e bem-estar

Atualizado em 16 de fevereiro de 2012
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* Suely Tambalo

Quando nos deparamos com corredores nas ruas e parques, podemos dizer que existem tantos estilos de correr quanto corredores. Muitas vezes ao observarmos as pessoas é impossível não notar o quanto para alguns o movimento parece fácil, natural e harmonioso. Para outros, entretanto, o ato de correr parece mais um esforço descomunal que a pessoa se impõe, tamanha é a quantidade de compensações musculares, tensões e desalinhamentos.

Não é necessário ser um profissional de educação física ou fisioterapeuta para constatar quando há algo errado, porque a harmonia e a beleza saltam aos olhos, e um movimento econômico e bem coordenado parece realizado sem esforço, quase uma dança.

É claro que somente alguns seres geneticamente privilegiados já nasceram com o dom e o corpo perfeitamente “projetado” para o esporte e o desempenho. A maioria dos “mortais” tem suas características genéticas e padrões posturais adquiridos ao longo da vida, que nem sempre correspondem ao ideal atlético e nem por isso devem se privar do prazer e dos benefícios da atividade física, muito pelo contrário.

Exemplos não faltam de atletas olímpicos que se superam no esporte por conta de um inicial problema de saúde. Muitas das pessoas que contribuíram para o estudo e o desenvolvimento de métodos de atividade física alternativos também têm esse perfil, da busca pela própria reabilitação e saúde, como Moshe Feldenkrais e o próprio Joseph Pilates entre outros.

Não se trata, portanto, de buscar a perfeição, mas de dar a si mesmo o melhor possível dentro de suas possibilidades. Porém, o que se vê corriqueiramente, infelizmente, são pessoas que, julgando estarem fazendo um bem para a saúde, estão na verdade causando desgastes e eliminando um bem perecível que é a saúde.

Correr sem consciência de seus próprios movimentos pode causar mais danos do que ganhos. Na era da tecnologia, em que celular e iPods estão sempre presentes nas nossas mãos, seria interessante, ao menos de tempos em tempos, usarmos essa tecnologia a nosso favor.

Não é equipando-os com programas para manter ritmo e metas de treinamento, medindo frequência cardíaca, tão pouco baixando músicas motivantes para manter acesa a vontade de terminar. Seria simplesmente gravando ou filmando nossos movimentos, analisando depois com calma com a ajuda de um profissional, pois desta forma poderíamos melhorar a postura e, provavelmente, desvendar o mistério daquela dor nos joelhos, quadris, tíbia, ombros.

Certamente, encontraríamos a causa para muitas de nossas queixas, quando não nos surpreenderíamos assistindo uma pessoa totalmente desconhecida daquela que pensávamos ser. O conhecimento de si mesmo, às vezes um tanto doloroso, pode nos ajudar e muito a realmente encarar nossas dificuldades e aprimorá-las.

Nas palavras do próprio Joseph Pilates: “Andar, o único exercício mais comum para a maioria de nós, trabalha apenas um número limitado de músculos. Com repetição, o ato de caminhar se torna um hábito ruim, sempre acompanhado de má postura… No entanto, há outra razão importante para exercitarmos todos os nossos músculos conscientemente. Cada músculo pode, cooperativa e fielmente, ajudar no desenvolvimento uniforme de todos os outros. Ao desenvolver os músculos menos importantes, naturalmente estamos ajudando a fortalecer os músculos mais importantes. Assim como os tijolos pequenos são usados na construção de grandes edifícios, o desenvolvimento dos músculos menores ajudará a desenvolver os músculos maiores. Portanto, quando todos os músculos forem adequadamente desenvolvidos, você naturalmente trabalhará fazendo um esforço mínimo e desfrutando de um prazer máximo.” (A obra completa de Joseph Pilates – Joseph Hubertus Pilates).

Na corrida
Num exercício repetitivo como a corrida, em que exercitamos os mesmos músculos, sempre da mesma maneira, realizar qualquer movimento em desvantagem biomecânica significa criar stress, tensão e lesão desnecessária nos músculos e articulações.

Complementar a prática da corrida com atividades que estimulem todos os músculos de maneira equilibrada e ainda promovam a concentração e o autoconhecimento como o Pilates, certamente fará com que estendamos por mais tempo nossa saúde e bem-estar, nosso bem mais precioso que não deve ser desperdiçado nem mal administrado.

Bons treinos!

* Suely Tambalo é educadora física e professora do CGPA Pilates.