Corra bem dos 20 aos 30 anos

Atualizado em 16 de abril de 2008
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Por Odara Gallo

Algumas pessoas sustentam a teoria de que essa é a melhor fase da vida. É dos 20 aos 30 anos que a maioria das realizações acontecem, sejam elas profissionais ou sentimentais. Será que a área esportiva segue a mesma tendência?

Essa fase da vida, considerada como “jovem adulto”, tem diversas peculiaridades que podem ser decisivas na prática da corrida. “Geralmente, essa faixa etária é a mais favorável para a performance esportiva, pois o ser humano está no pico da maturidade óssea, muscular e hormonal. Após os 30 anos, começa a curva descendente, em que se perde massa óssea, os níveis de hormônio caem assim como a densidade óssea”, explicou Luciane Macias, atleta, treinadora e consultora técnica da O2. “Sob condições normais, o desempenho da força apresenta um pico nessa fase. Aliando essa capacidade com a flexibilidade, agilidade, velocidade, equilíbrio e resistência, torna-se muito mais fácil a prática de qualquer atividade física”, completou Rodrigo Marangon, Personal Trainer da Top Notch, de São Paulo.

Como qualquer característica física ou psicológica, essa facilidade vai depender de cada indivíduo que realiza a atividade, mas podemos apontar outras vantagens que pessoas entre 20 e 30 anos apresentam. “Nesta idade, é possível ter uma regeneração muscular mais rápida e maior capitação máxima de oxigênio (VO2 máx.), com declínio a partir dos 25 anos”, afirmou Rodrigo Marangon. “Mas para que isso ocorra é preciso ter orientação de um profissional de Educação Física, pois só ele pode direcionar o treinamento para aproveitar o melhor de cada atleta”, completou.

Dificuldade de se disciplinar
Mas nem só de vantagens estão cercados os corredores dessa faixa etária. Existe uma série de fatores que atrapalham o desempenho desse atleta. “Na maioria das academias e assessorias esportivas, o número de freqüentadores entre os 20 e 30 anos de idade só cresce. Porém, geralmente, essas pessoas procuram atividades em grupo (como aulas ou grupos de corridas) e raramente conseguem realizar atividades de longa duração individualmente, salvo algumas exceções”, opinou o treinador.

O treinador observa ainda que até os 25 anos se percebe que os indivíduos estão mais preocupados com a carreira profissional e têm uma dificuldade maior em manter uma atividade física regular, dando prioridade para aquelas que mantenham um lado social mais intenso. Já dos 25 aos 30 anos, ocorre uma ligeira mudança no comportamento com relação às suas atividades, pois o lado profissional muitas vezes já está um pouco mais direcionado, dando oportunidade para o individuo praticar alguma atividade regularmente.

Fase competitiva
Essa faixa etária pode ser considerada a mais competitiva do corredor. Se bem direcionado, ele terá grandes chances de fazer suas melhores corridas e baixar seus tempos. “Essa é a hora de trabalhar duro, treinar forte, para garantir uma sobrevida melhor de nossa performance com o passar dos anos. Geralmente, é quando conseguimos nossas melhores marcas, principalmente nas provas de maior velocidade e explosão”, afirmou Luciane Macias.

Mas essa facilidade deve ser administrada com cuidado e disciplina pelo atleta, pois pode gerar alguns percalços, como a busca sem limites pelos bons resultados. “Nesta faixa de idade, considero fundamental a disciplina, um dos pontos fortes para a performance, pois esta busca pelo resultado pode levas esses jovens adultos aos anabolizantes e estimulantes, achando que desta forma estarão trazendo benefícios para sua performance e vida futura”, alertou Rodrigo Marangon.

Se você está nessa faixa etária, procure orientação de um profissional para alcançar o seu melhor. Confira todos os benefícios que uma atividade física bem realizada nessa fase pode proporcionar:

– Melhoria da capacidade de resposta muscular;
– Melhoria do condicionamento físico;
– Aumento da massa magra e enrijecimento muscular;
– Aumento da força muscular;
– Melhoria na flexibilidade;
– Melhoria da capacidade aeróbia;
– Aumento do gasto calórico total diário, reduzindo a quantidade de gordura corporal;
– Melhoria na auto-estima, do autoconceito e da auto-imagem;
– Melhorias na socialização e nos relacionamentos interpessoais;
– Melhoria dos aspectos cognitivos (atenção, concentração, memória e aprendizagem);
– Menor predisposição em desenvolver doenças cardiovasculares e hipertensão;
– Menor predisposição em desenvolver problemas de colesterol e diabetes;
– Aumento da resistência do sistema imunológico.