Avaliação cardiológica é coisa séria

Atualizado em 08 de maio de 2009
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Por Hélio Castello*

Nos últimos anos, nos deparamos com alguns atletas que passaram mal durante competições e outros que chegaram até a morrer. Isto desencadeou uma preocupação crescente e universal em oferecer um melhor preparo do indivíduo competitivo antes de sua participação.

Quando os médicos encontram alterações que simulam cardiopatias ou que as identificam, há a necessidade de avaliações mais delicadas e focadas. Vale lembrar que o afastamento de um atleta no auge de sua carreira ou no seu melhor momento é uma decisão difícil e muito complexa, e que, portanto, deve ser sempre baseada em fatos concretos e fortes evidências de risco.

A avaliação pré-competitiva visa:

– Detectar precocemente uma patologia cardiovascular;
– Analisar o impacto do exercício físico intenso sobre o sistema cardiovascular;
– Acompanhar alterações cardiovasculares causadas pela prática de atividade intensa e suas possíveis regressões após o abandono;
– Avaliar riscos e benefícios cardiovasculares do exercício;
– Determinar a capacidade funcional do atleta;
– Orientar a intensidade de treinos buscando o melhor aproveitamento aeróbico do condicionamento cardiovascular.

Os exames pré-participação devem ser realizados em absolutamente todos os atletas sob coordenação médica. Em muitos casos, a identificação e resolução precoce de alterações cardiovasculares reversíveis podem permitir a continuidade da atividade física competitiva.

A crescente associação entre esporte e saúde fez com que mais pessoas se enveredassem em praticar esportes competitivos, principalmente corridas e ciclismo de alta intensidade, e em todas as faixas etárias, fazendo com que aumentasse muito o contingente de indivíduos a serem avaliados. Desta forma, muitos praticam esportes sem avaliação adequada correndo riscos.

Por isso, é imperativo que todas, simplesmente todas as pessoas que pretendem praticar esportes competitivos submetam-se a avaliação cardíaca detalhada previamente.

* Hélio Castello é cardiologista, diretor da Angiocardio e coordenador do centro de hemodinâmica e intervenções cardiovasculares do Hospital Bandeirantes (SP).