<p><font face=O ciclista amador Guilherme Kardel, de 28 anos, já contabiliza mais de 135 mil km rodados de bike e agora treina para um grande desafio, completar no dia 20 de agosto os 1.200 km da Paris-Brest-Paris.

Escrevo este relato para compartilhar algumas informações que eu considero muito bem-vindas, úteis ou fúteis, às vezes podem nos ajudar naqueles momentos mais diferentes da nossa realidade diária. No 20 de agosto vou estar no Paris-Brest-Paris, e quero contar um pouco como me preparei para esta prova, que para mim é um dos acontecimentos mais grandiosos da minha vida ciclística, que começou quando eu era criança.

Meu sonho desde pequeno era pedalar pelo mundo, mas como o mundo ainda é maior que o Paris - Brest - Paris, PBP para os mais íntimos, já estou mais do que contente de poder pisar em solo Françês, habilitado para participar deste grande desafio que me intriga desde o início de 2005, quando conheci o Audax. Também vou contar um pouco da minha história dos últimos 7 ou 8 meses, que me deixaram aptos a pedalar os 600. algumas pequenas mudanças na minha vida, que proporcionaram este salto evolutivo na minha pedalada e pra mim, no quesito mais importante: Qualidade de vida!

Breve histórico antes dos 600

A minha logistica mental e física para esta prova começou em novembro do ano passado. Estava acima do meu peso, aquilo que tinha como normal era por volta de 87, estava com quase 105, até ai tudo bem, isso era algo que com mais disciplina eu conseguiria atingir, aliás, como qualquer outra coisa na vida. Semanas após ter uma pequena e praticamente invisível fratura na mão direita devido a uma queda boba, empinando a bike em frente de casa, em Porto Alegre, achei que a natação poderia me ajudar.

Diante deste panorama, comecei a reaprender natação no finalzinho de novembro, início de dezembro. Conversando com o Mário, instrutor de natação da escola de natação onde frequento até hoje, explanei os meus objetivos em relação a natação e disse que aquilo era pra complementar a minha atividade ciclística, que em São Paulo não tinha a mesma intensidade daquilo que estava acostumado a viver em Porto Alegre.

Em 20 de janeiro, pedalei com o Antônio Costa, ciclista e organizador das provas de SP, o Audax 200 em Ubatuba. Como ainda estava fora de forma e mal preparado completei a prova, mas num estado lastimável, muito aquém daquilo que tanto me intrigou, o PBP...cãimbras e cansaço extremo, aliado ao calor me prejudicaram, salvo pelas belíssimas paisagens.

De volta a Porto Alegre, consultei uma nutricionista, a Cíntia. Conversei bastante com ela e disse que queria qualidade de vida e ai contei que o meu target de peso era 84Kg, mas que tinha até 20 de agosto para estar assim, data da largada do PBP. Nesta caso, o que realmente busquei foi a melhora da minha relação peso X potência, eliminando perto de 20 quilos, eu teria uma eficiência muito melhor na pedalada.

Iniciei a dieta e já no próximo Audax, que foi de 300 km, em 14 de abril em Santa Cruz do Sul, mesmo com pouco treino a minha resposta física na prova foi muito melhor que nos 200 km de Ubatuba. Só nisso eu já tinha percebido que a "brincadeira" de pedalar já estava ficando muito mais séria. Pedalar uma prova de 1200 km, não é só sentar na bike e girar a pedivela.

Já soube pelas provas que participei em 2005 e uma em 2006 que para se tornar um pedalador destes eventos é preciso muito mais que vigor físico. É preciso programação, planejamento, disciplina, conhecimento de causa, auto-conhecimento e principalmente o desejo de vencer o desafio. Cada um destes ítens poderia se desdobrar em muitas páginas, mas não é o foco no momento.

Depois de dois meses e meio em Porto Alegre, pedalando bastante por lá mas ainda sem um rítmo definido, voltei a São Paulo às vésperas do Audax 400 de Campinas, nos dias 8 e 9 de junho. Pedalar fora de casa é muito interessante, tira-nos daquela situação de conforto e segurança que temos ao estar ali, do lado de casa. É uma realidade que vai nos acompanhar em Paris, onde a língua francesa para mim não é de simples entendimento e o terreno é totalmente desconhecido. Pedalei os 400 km com certa folga, melhor do que esperava, porém terminei a prova com os músculos das coxas realmente muito fadigados. Tive dificuldade para caminhar nos dias seguintes.

Passei o feedback para Cintia e reprogramamos um pouco a alimentação. Pesquisei alguns suplementos, passei as informações pra ela, continuei nadando e pedalei no intervalo da prova de 400 e 600, pouco mais de 170 km, num espaço de 33 dias. Treino pequeno pra quem quer ir pra França, mas eu percebi que o progresso na natação influenciou e muito nos meus resultados.

Audax 600 em Campinas, uma prova que fez história, na minha própria história:

A prova de Campinas para mim teve largada nos preparativos e programação que fiz antes dela, tanto mental quanto física. No domingo anterior a prova já tinha o meu checklist com tudo que precisava. Saí de São Paulo na quinta-feira à tarde com o pessoal da organização e fomos pra Campinas. Usei esta prova de 600 km para fazer alguns testes de fisiologia e auto-reconhecimento. Pedalar durante seissentos quilometros é algo que considero uma agressão ao organismo, mas faz parte do desafio. Pedalamos os primeiros 400 km de prova com mais ou menos 23 horas de prova, sobrando outras 17 horas para os 200km restantes.

O trajeto até o último PC foi bastante agradável, a temperatura que antes castigava, agora deu uma trégua e o vento a favor também ajudou a percorrer os quase 50 km. Chegamos no último PC, com pouco menos de 2 horas de pedal, fizemos o último pitstop, reabastecemos com água.. um pouco de alongamento e seguimos rumo a chegada.

Este último trecho da prova foi o mais delicado, pela segurança. Em um dos pontos da estrada, a "terceira pista" estava sendo construída e havia literalmente um buraco de mais de 800 metros, com uma profundidade de 2 metros onde deveria haver pista. Já era noite e havia apenas uma pista de rolagem, devidamente sinalizados seguimos pela faixa. Este último trecho, apesar de parecer difícil, foi o mais gratificante da prova. A adrenalina e os "poucos" quilômetros que restavam me motivavam ainda mais para seguir bem. Por incrível que possa parecer, nestes momentos finais eu sentia pleno para pedalar, como se estivesse recém iniciado a prova. Preparação mental é muito importante em qualquer momento da vida ou esporte, mas numa prova destas, é realmente decisiva.

Chegamos na rodovia D. Pedro e aquela sensação de dever cumprido já circulava pela minha mente, com uma energia incrível. Já perto da chegada eu comecei a me emocionar, não havia me sentido assim no primeiro "600" que fiz em 2006. Estava tão feliz por ter estar chegando tão bem mental e fisicamente. Fizemos questão de chegarmos todos juntos, com aproximadamente 38:40 minutos de pedal.

Estou pronto, plenamente preparado para o próximo desafio, o grande sonho, a primeira grande prova da minha vida, o Paris Brest Paris, que vai ter a largada agora, dia 20 de agosto.

Guilherme Azambuja Kardel, 28 anos, é consultor em informática, ciclista amador e apaixonado por pedalar desde criança. Hoje contabiliza mais de 135.000 km rodados de bike. Treina para o desafio na França aproximadamente 600km/mês divididos em até 150 km/final de semana. É natural de Porto Alegre e mora em São Paulo há meses.

Saiba mais sobre o Audax no Brasil:
www.audax-rs.com.br
www.audaxparana.com.br
www.audaxbrasil.com.br
Site oficial do Audax 1200, na França: www.paris-brest-paris.org


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O ciclista amador Guilherme Kardel, de 28 anos, já contabiliza mais de 135 mil km rodados de bike e agora treina para um grande desafio, completar no dia 20 de agosto os 1.200 km da Paris-Brest-Paris.

Escrevo este relato para compartilhar algumas informações que eu considero muito bem-vindas, úteis ou fúteis, às vezes podem nos ajudar naqueles momentos mais diferentes da nossa realidade diária. No 20 de agosto vou estar no Paris-Brest-Paris, e quero contar um pouco como me preparei para esta prova, que para mim é um dos acontecimentos mais grandiosos da minha vida ciclística, que começou quando eu era criança.

Meu sonho desde pequeno era pedalar pelo mundo, mas como o mundo ainda é maior que o Paris - Brest - Paris, PBP para os mais íntimos, já estou mais do que contente de poder pisar em solo Françês, habilitado para participar deste grande desafio que me intriga desde o início de 2005, quando conheci o Audax. Também vou contar um pouco da minha história dos últimos 7 ou 8 meses, que me deixaram aptos a pedalar os 600. algumas pequenas mudanças na minha vida, que proporcionaram este salto evolutivo na minha pedalada e pra mim, no quesito mais importante: Qualidade de vida!

Breve histórico antes dos 600

A minha logistica mental e física para esta prova começou em novembro do ano passado. Estava acima do meu peso, aquilo que tinha como normal era por volta de 87, estava com quase 105, até ai tudo bem, isso era algo que com mais disciplina eu conseguiria atingir, aliás, como qualquer outra coisa na vida. Semanas após ter uma pequena e praticamente invisível fratura na mão direita devido a uma queda boba, empinando a bike em frente de casa, em Porto Alegre, achei que a natação poderia me ajudar.

Diante deste panorama, comecei a reaprender natação no finalzinho de novembro, início de dezembro. Conversando com o Mário, instrutor de natação da escola de natação onde frequento até hoje, explanei os meus objetivos em relação a natação e disse que aquilo era pra complementar a minha atividade ciclística, que em São Paulo não tinha a mesma intensidade daquilo que estava acostumado a viver em Porto Alegre.

Em 20 de janeiro, pedalei com o Antônio Costa, ciclista e organizador das provas de SP, o Audax 200 em Ubatuba. Como ainda estava fora de forma e mal preparado completei a prova, mas num estado lastimável, muito aquém daquilo que tanto me intrigou, o PBP...cãimbras e cansaço extremo, aliado ao calor me prejudicaram, salvo pelas belíssimas paisagens.

De volta a Porto Alegre, consultei uma nutricionista, a Cíntia. Conversei bastante com ela e disse que queria qualidade de vida e ai contei que o meu target de peso era 84Kg, mas que tinha até 20 de agosto para estar assim, data da largada do PBP. Nesta caso, o que realmente busquei foi a melhora da minha relação peso X potência, eliminando perto de 20 quilos, eu teria uma eficiência muito melhor na pedalada.

Iniciei a dieta e já no próximo Audax, que foi de 300 km, em 14 de abril em Santa Cruz do Sul, mesmo com pouco treino a minha resposta física na prova foi muito melhor que nos 200 km de Ubatuba. Só nisso eu já tinha percebido que a "brincadeira" de pedalar já estava ficando muito mais séria. Pedalar uma prova de 1200 km, não é só sentar na bike e girar a pedivela.

Já soube pelas provas que participei em 2005 e uma em 2006 que para se tornar um pedalador destes eventos é preciso muito mais que vigor físico. É preciso programação, planejamento, disciplina, conhecimento de causa, auto-conhecimento e principalmente o desejo de vencer o desafio. Cada um destes ítens poderia se desdobrar em muitas páginas, mas não é o foco no momento.

Depois de dois meses e meio em Porto Alegre, pedalando bastante por lá mas ainda sem um rítmo definido, voltei a São Paulo às vésperas do Audax 400 de Campinas, nos dias 8 e 9 de junho. Pedalar fora de casa é muito interessante, tira-nos daquela situação de conforto e segurança que temos ao estar ali, do lado de casa. É uma realidade que vai nos acompanhar em Paris, onde a língua francesa para mim não é de simples entendimento e o terreno é totalmente desconhecido. Pedalei os 400 km com certa folga, melhor do que esperava, porém terminei a prova com os músculos das coxas realmente muito fadigados. Tive dificuldade para caminhar nos dias seguintes.

Passei o feedback para Cintia e reprogramamos um pouco a alimentação. Pesquisei alguns suplementos, passei as informações pra ela, continuei nadando e pedalei no intervalo da prova de 400 e 600, pouco mais de 170 km, num espaço de 33 dias. Treino pequeno pra quem quer ir pra França, mas eu percebi que o progresso na natação influenciou e muito nos meus resultados.

Audax 600 em Campinas, uma prova que fez história, na minha própria história:

A prova de Campinas para mim teve largada nos preparativos e programação que fiz antes dela, tanto mental quanto física. No domingo anterior a prova já tinha o meu checklist com tudo que precisava. Saí de São Paulo na quinta-feira à tarde com o pessoal da organização e fomos pra Campinas. Usei esta prova de 600 km para fazer alguns testes de fisiologia e auto-reconhecimento. Pedalar durante seissentos quilometros é algo que considero uma agressão ao organismo, mas faz parte do desafio. Pedalamos os primeiros 400 km de prova com mais ou menos 23 horas de prova, sobrando outras 17 horas para os 200km restantes.

O trajeto até o último PC foi bastante agradável, a temperatura que antes castigava, agora deu uma trégua e o vento a favor também ajudou a percorrer os quase 50 km. Chegamos no último PC, com pouco menos de 2 horas de pedal, fizemos o último pitstop, reabastecemos com água.. um pouco de alongamento e seguimos rumo a chegada.

Este último trecho da prova foi o mais delicado, pela segurança. Em um dos pontos da estrada, a "terceira pista" estava sendo construída e havia literalmente um buraco de mais de 800 metros, com uma profundidade de 2 metros onde deveria haver pista. Já era noite e havia apenas uma pista de rolagem, devidamente sinalizados seguimos pela faixa. Este último trecho, apesar de parecer difícil, foi o mais gratificante da prova. A adrenalina e os "poucos" quilômetros que restavam me motivavam ainda mais para seguir bem. Por incrível que possa parecer, nestes momentos finais eu sentia pleno para pedalar, como se estivesse recém iniciado a prova. Preparação mental é muito importante em qualquer momento da vida ou esporte, mas numa prova destas, é realmente decisiva.

Chegamos na rodovia D. Pedro e aquela sensação de dever cumprido já circulava pela minha mente, com uma energia incrível. Já perto da chegada eu comecei a me emocionar, não havia me sentido assim no primeiro "600" que fiz em 2006. Estava tão feliz por ter estar chegando tão bem mental e fisicamente. Fizemos questão de chegarmos todos juntos, com aproximadamente 38:40 minutos de pedal.

Estou pronto, plenamente preparado para o próximo desafio, o grande sonho, a primeira grande prova da minha vida, o Paris Brest Paris, que vai ter a largada agora, dia 20 de agosto.

Guilherme Azambuja Kardel, 28 anos, é consultor em informática, ciclista amador e apaixonado por pedalar desde criança. Hoje contabiliza mais de 135.000 km rodados de bike. Treina para o desafio na França aproximadamente 600km/mês divididos em até 150 km/final de semana. É natural de Porto Alegre e mora em São Paulo há meses.

Saiba mais sobre o Audax no Brasil:
www.audax-rs.com.br
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Site oficial do Audax 1200, na França: www.paris-brest-paris.org


135 mil km em uma bike e o sonho de fazer o Audax 1200

Atualizado em 22 de março de 2008
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O ciclista amador Guilherme Kardel, de 28 anos, já contabiliza mais de 135 mil km rodados de bike e agora treina para um grande desafio, completar no dia 20 de agosto os 1.200 km da Paris-Brest-Paris.

Escrevo este relato para compartilhar algumas informações que eu considero muito bem-vindas, úteis ou fúteis, às vezes podem nos ajudar naqueles momentos mais diferentes da nossa realidade diária. No 20 de agosto vou estar no Paris-Brest-Paris, e quero contar um pouco como me preparei para esta prova, que para mim é um dos acontecimentos mais grandiosos da minha vida ciclística, que começou quando eu era criança.

Meu sonho desde pequeno era pedalar pelo mundo, mas como o mundo ainda é maior que o Paris – Brest – Paris, PBP para os mais íntimos, já estou mais do que contente de poder pisar em solo Françês, habilitado para participar deste grande desafio que me intriga desde o início de 2005, quando conheci o Audax. Também vou contar um pouco da minha história dos últimos 7 ou 8 meses, que me deixaram aptos a pedalar os 600. algumas pequenas mudanças na minha vida, que proporcionaram este salto evolutivo na minha pedalada e pra mim, no quesito mais importante: Qualidade de vida!

Breve histórico antes dos 600

A minha logistica mental e física para esta prova começou em novembro do ano passado. Estava acima do meu peso, aquilo que tinha como normal era por volta de 87, estava com quase 105, até ai tudo bem, isso era algo que com mais disciplina eu conseguiria atingir, aliás, como qualquer outra coisa na vida. Semanas após ter uma pequena e praticamente invisível fratura na mão direita devido a uma queda boba, empinando a bike em frente de casa, em Porto Alegre, achei que a natação poderia me ajudar.

Diante deste panorama, comecei a reaprender natação no finalzinho de novembro, início de dezembro. Conversando com o Mário, instrutor de natação da escola de natação onde frequento até hoje, explanei os meus objetivos em relação a natação e disse que aquilo era pra complementar a minha atividade ciclística, que em São Paulo não tinha a mesma intensidade daquilo que estava acostumado a viver em Porto Alegre.

Em 20 de janeiro, pedalei com o Antônio Costa, ciclista e organizador das provas de SP, o Audax 200 em Ubatuba. Como ainda estava fora de forma e mal preparado completei a prova, mas num estado lastimável, muito aquém daquilo que tanto me intrigou, o PBP…cãimbras e cansaço extremo, aliado ao calor me prejudicaram, salvo pelas belíssimas paisagens.

De volta a Porto Alegre, consultei uma nutricionista, a Cíntia. Conversei bastante com ela e disse que queria qualidade de vida e ai contei que o meu target de peso era 84Kg, mas que tinha até 20 de agosto para estar assim, data da largada do PBP. Nesta caso, o que realmente busquei foi a melhora da minha relação peso X potência, eliminando perto de 20 quilos, eu teria uma eficiência muito melhor na pedalada.

Iniciei a dieta e já no próximo Audax, que foi de 300 km, em 14 de abril em Santa Cruz do Sul, mesmo com pouco treino a minha resposta física na prova foi muito melhor que nos 200 km de Ubatuba. Só nisso eu já tinha percebido que a “brincadeira” de pedalar já estava ficando muito mais séria. Pedalar uma prova de 1200 km, não é só sentar na bike e girar a pedivela.

Já soube pelas provas que participei em 2005 e uma em 2006 que para se tornar um pedalador destes eventos é preciso muito mais que vigor físico. É preciso programação, planejamento, disciplina, conhecimento de causa, auto-conhecimento e principalmente o desejo de vencer o desafio. Cada um destes ítens poderia se desdobrar em muitas páginas, mas não é o foco no momento.

Depois de dois meses e meio em Porto Alegre, pedalando bastante por lá mas ainda sem um rítmo definido, voltei a São Paulo às vésperas do Audax 400 de Campinas, nos dias 8 e 9 de junho. Pedalar fora de casa é muito interessante, tira-nos daquela situação de conforto e segurança que temos ao estar ali, do lado de casa. É uma realidade que vai nos acompanhar em Paris, onde a língua francesa para mim não é de simples entendimento e o terreno é totalmente desconhecido. Pedalei os 400 km com certa folga, melhor do que esperava, porém terminei a prova com os músculos das coxas realmente muito fadigados. Tive dificuldade para caminhar nos dias seguintes.

Passei o feedback para Cintia e reprogramamos um pouco a alimentação. Pesquisei alguns suplementos, passei as informações pra ela, continuei nadando e pedalei no intervalo da prova de 400 e 600, pouco mais de 170 km, num espaço de 33 dias. Treino pequeno pra quem quer ir pra França, mas eu percebi que o progresso na natação influenciou e muito nos meus resultados.

Audax 600 em Campinas, uma prova que fez história, na minha própria história:

A prova de Campinas para mim teve largada nos preparativos e programação que fiz antes dela, tanto mental quanto física. No domingo anterior a prova já tinha o meu checklist com tudo que precisava. Saí de São Paulo na quinta-feira à tarde com o pessoal da organização e fomos pra Campinas. Usei esta prova de 600 km para fazer alguns testes de fisiologia e auto-reconhecimento. Pedalar durante seissentos quilometros é algo que considero uma agressão ao organismo, mas faz parte do desafio. Pedalamos os primeiros 400 km de prova com mais ou menos 23 horas de prova, sobrando outras 17 horas para os 200km restantes.

O trajeto até o último PC foi bastante agradável, a temperatura que antes castigava, agora deu uma trégua e o vento a favor também ajudou a percorrer os quase 50 km. Chegamos no último PC, com pouco menos de 2 horas de pedal, fizemos o último pitstop, reabastecemos com água.. um pouco de alongamento e seguimos rumo a chegada.

Este último trecho da prova foi o mais delicado, pela segurança. Em um dos pontos da estrada, a “terceira pista” estava sendo construída e havia literalmente um buraco de mais de 800 metros, com uma profundidade de 2 metros onde deveria haver pista. Já era noite e havia apenas uma pista de rolagem, devidamente sinalizados seguimos pela faixa. Este último trecho, apesar de parecer difícil, foi o mais gratificante da prova. A adrenalina e os “poucos” quilômetros que restavam me motivavam ainda mais para seguir bem. Por incrível que possa parecer, nestes momentos finais eu sentia pleno para pedalar, como se estivesse recém iniciado a prova. Preparação mental é muito importante em qualquer momento da vida ou esporte, mas numa prova destas, é realmente decisiva.

Chegamos na rodovia D. Pedro e aquela sensação de dever cumprido já circulava pela minha mente, com uma energia incrível. Já perto da chegada eu comecei a me emocionar, não havia me sentido assim no primeiro “600” que fiz em 2006. Estava tão feliz por ter estar chegando tão bem mental e fisicamente. Fizemos questão de chegarmos todos juntos, com aproximadamente 38:40 minutos de pedal.

Estou pronto, plenamente preparado para o próximo desafio, o grande sonho, a primeira grande prova da minha vida, o Paris Brest Paris, que vai ter a largada agora, dia 20 de agosto.

Guilherme Azambuja Kardel, 28 anos, é consultor em informática, ciclista amador e apaixonado por pedalar desde criança. Hoje contabiliza mais de 135.000 km rodados de bike. Treina para o desafio na França aproximadamente 600km/mês divididos em até 150 km/final de semana. É natural de Porto Alegre e mora em São Paulo há meses.

Saiba mais sobre o Audax no Brasil:
www.audax-rs.com.br
www.audaxparana.com.br
www.audaxbrasil.com.br
Site oficial do Audax 1200, na França: www.paris-brest-paris.org